SÃO PAULO — A exposição Mundo Pequeno, dedicada ao fotógrafo britânico Martin Parr, reúne na galeria de fotografias do Centro Cultural Fiesp imagens sobre turismo de massa, consumo e a transformação de experiências em encenação. A mostra ocupa também a esplanada da instituição, na avenida Paulista, com uma praia artificial inspirada na obra do artista.
Parr morreu em dezembro do ano passado, aos 73 anos. Ele foi um dos fotógrafos documentaristas mais aclamados do século 20 e um dos precursores da renovação da fotografia no final dos anos 1980. Sua produção ficou marcada pelo uso de cores saturadas, flash direto e cenas do cotidiano tratadas com viés crítico e bem-humorado.
A seleção organizada pelo professor e curador João Kulcsár apresenta trabalhos feitos no Reino Unido e em outros países. Até os anos 1980, Parr concentrou sua pesquisa no próprio país. Na década seguinte, passou a percorrer o mundo para investigar a padronização cultural associada à globalização. As fotografias expostas incluem paisagens da Grã-Bretanha, Las Vegas, nos Estados Unidos, e Santiago de Compostela, na Espanha.
Entre os trabalhos reunidos estão registros de praias de diferentes partes do mundo, incluindo o Brasil, no fotolivro Life’s a Beach; um livro de autorretratos; e The Last Resort, de 1986, considerada sua série mais emblemática. Uma projeção apresenta a imagem de uma mulher tomando sol em Benidorm, na Espanha. O uso do flash sob o sol forte elimina sombras e achata a profundidade da cena, enquanto o azul do protetor ocular contrasta com a pele avermelhada da mulher.
A exposição também destaca fotografias que questionam a relação dos turistas com os destinos. Em Veneza, na Itália, uma fila diante de uma falsa gôndola transforma o passeio em cenário para fotos. Em Paris, o público diante da Mona Lisa, no Museu do Louvre, parece mais concentrado em registrar a obra do que em observá-la.
Instalação e participação do público
A mostra tem projeções, fotolivros raros e uma ala interativa. Em um monitor, o visitante escolhe uma entre 30 cidades e produz um autorretrato como se estivesse no local.
Na esplanada da Fiesp, papel texturizado, boias e cadeiras de praia recriam o ambiente de uma fotografia de 1996, feita em um balneário de mentira em Miyazaki, no Japão. A instalação busca incluir os visitantes na obra, incentivando-os a fotografar outras pessoas mais preocupadas em registrar o momento do que em vivenciá-lo.
As imagens feitas na galeria ou nos arredores do Centro Cultural Fiesp podem ser publicadas nas redes sociais com a hashtag #parrmundopequeno. João Kulcsár fará uma seleção, e as melhores serão projetadas no espaço. A exposição fica em cartaz até abril do ano que vem.








