São Paulo, Domingo, 20 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00% São Paulo 18°C 18° / 24°
Entretenimento

Musical recria a memória de Marcelo Rubens Paiva com narrativa fragmentada

Montagem combina dança, rock e câmeras para abordar o acidente, a reabilitação e as inquietações de uma geração.

Musical recria a memória de Marcelo Rubens Paiva com narrativa fragmentada
Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

O musical “Feliz Ano Velho” estreia neste sábado (19) no Teatro Sabesp Frei Caneca, na região central da capital paulista, com uma encenação que abandona a ordem cronológica e combina dança, música, humor e projeções.

A montagem parte do livro de Marcelo Rubens Paiva, lançado em 1982, e acompanha a transformação do escritor após o acidente que o deixou tetraplégico aos 20 anos. O episódio ocorreu em 1979, quando ele mergulhou em um açude de um sítio em Campinas, bateu a cabeça e fraturou a quinta vértebra cervical.

Memória em movimento

No palco, a internação do protagonista aparece logo no início. Sedado, ele atravessa uma sequência de devaneios, enquanto a narrativa alterna momentos do passado e do futuro. Hugo Bonèmer interpreta Paiva; Bruno Garcia vive o escritor em uma fase mais velha e também representa Rubens Paiva, pai de Marcelo, assassinado pela ditadura militar em 1971.

Câmeras registram partes da ação e reproduzem as imagens em telões. As escadas são o principal elemento cenográfico: podem sugerir jaulas e obstáculos ou servir como plataformas para os saltos do elenco.

O repertório inclui “Geração Coca-Cola”, do Legião Urbana, “O Tempo Não Para”, de Cazuza e Arnaldo Brandão, e “Vida Louca Vida”, de Lobão e Bernardo Vilhena. Para o diretor Gustavo Barchilon, as músicas não ficam restritas aos anos 1980. “Por mais que tenham sido lançadas nessa época, são músicas atemporais.”

Acidente, humor e reabilitação

O livro que inspira o espetáculo narra a experiência de Paiva sem se limitar às consequências do acidente. A obra mistura sexo, drogas, gírias e palavrões em uma linguagem direta e coloquial. Desde o lançamento, a estimativa é que tenha vendido mais de 1 milhão de exemplares.

A adaptação também aborda o processo de reabilitação e a adaptação à cadeira de rodas. A revolta inicial do personagem gradualmente dá lugar à tentativa de se reinventar pela literatura. “Andar, afinal, não é a única forma de caminhar”, afirma um dos personagens.

A escolha de atores sem deficiência para os papéis principais recebeu críticas de artistas com deficiência. Luciano Mallmann, cadeirante, e Sabrina Korgut, que tem baixa mobilidade em uma das mãos, integram o elenco em papéis coadjuvantes.

Heloísa Périssé interpreta Eunice Paiva, mãe de Marcelo, que procurou o marido depois que ele foi levado de casa por agentes do regime militar. A personagem também acompanha as dúvidas do filho sobre a possibilidade de voltar a andar.

A montagem recupera ainda a passagem do escritor por uma juventude marcada por rebeldia, prazer e desejo de liberdade. Para Barchilon, a proposta é “uma nova forma de fazer teatro musical”.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5