RIO DE JANEIRO — O dilema entre denunciar um crime e proteger a própria família move “Precisamos Falar”, filme dirigido por Pedro Waddington e Rebeca Diniz. Celso, vivido por Emílio de Melo, é candidato ao governo do Rio e precisa decidir como agir depois que seus filhos se envolvem em um episódio que pode afetar sua campanha e seus princípios.
A história começa quando adolescentes provocam a morte de uma mulher sem-teto que dormia na cabine de um caixa eletrônico. A ação é filmada pelo grupo e desencadeia conflitos entre duas famílias de classe média alta.
Famílias diante do caso
Michel, interpretado por Thiago Voltolini, é filho de Paulo, personagem de Alexandre Nero, e Sandra, vivida por Marjorie Estiano. O rapaz é apresentado como racista e egoísta. Paulo é um homem reacionário, frustrado e inconformado com o próprio fracasso. Sandra, tomada pelo amor ao filho, tenta encontrar uma forma de evitar as consequências quando o caso chega aos jornais.
Os primos Rick e Jefferson, interpretados por Guilherme Cabral e Cauê Campos, são filhos de Celso e Anna, personagem de Hermila Guedes. Enquanto Celso enfrenta o conflito entre a ética e a possibilidade de perder a eleição, Anna reage de maneira guiada pela razão.
O filme não desenvolve principalmente a ideia de que pais e filhos precisam conversar. Nas duas famílias, eles compartilham uma linguagem semelhante. O ponto comum está na posição social: todos pertencem a uma classe média alta e burguesa que trata os sem-teto como uma anomalia e os empregados como apêndices.
Limites da encenação
A produção parte de um conflito ético atual, mas a direção opta por uma narrativa convencional. As personagens são construídas com características claras, os cenários correspondem à idade e à posição social de cada uma, e os contrastes entre casais, irmãos e primos organizam os princípios apresentados como democráticos e antirracistas.
Essa escolha pode estar ligada às exigências de uma estreia e à busca por um público amplo. A direção também concentra atenção no elenco, que é bem conduzido. O resultado, porém, reduz as nuances do argumento e deixa a mise-en-scène frouxa.
As mulheres ocupam uma posição secundária. Anna age de acordo com uma razão protocolar, enquanto Sandra dedica a vida a um amor intenso e inconsequente pelo filho. O drama que poderia assumir uma forma mais moderna acaba submetido às convenções cinematográficas.








