A chegada de três vampiros transforma a eleição para prefeito de Furnas Fundas em uma disputa ainda mais caótica. O filme dirigido por Beto Marquez acompanha a tentativa das criaturas de interferir no pleito, enquanto elas procuram ressuscitar um vampiro poderoso.
A história é conduzida por Bartira, interpretada por Gabriela Dias. Sobrinha do padre encontrado morto, ela trabalha como preparadora funerária, mas é chamada de coveira pelos moradores. Bartira percebe primeiro a presença sobrenatural e reúne um grupo improvisado para enfrentar os vampiros.
Entre seus aliados estão um médico legista apaixonado por ela e um vampirólogo que persegue as criaturas. O personagem remete a Van Helsing, o caçador de vampiros das histórias de Drácula, mas tem participação menor do que poderia na trama.
A eleição em Furnas Fundas
O prefeito Marcão, vivido por Otavio Muller, tenta conquistar a reeleição. Seu plano para o próximo mandato envolve vender uma grande área da cidade a latifundiários e ficar com o dinheiro. A situação política muda quando o padre que concorreria contra ele aparece morto, com dois furos no pescoço.
Rosália, papel de Natália Lage, desiste de ser vice na chapa do marido e assume a candidatura à prefeitura pelo partido rival. A mudança expõe a relação do casal, já que Marcão é adúltero, e abre espaço para cenas de acordos e fraudes nos bastidores da campanha.
A cidade também define o tom da produção. Conhecida por um personagem como uma “terra de manguaceiros”, Furnas Fundas é retratada como um lugar onde o consumo de cachaça atravessa a rotina dos moradores. O prefeito criou o C.A.T.A., Centro de Acolhimento e Tratamento de Alcoólicos. De madrugada, a perua da entidade recolhe pessoas desacordadas nas ruas para que recebam medicação e descansem antes de voltar a beber.
Baseado em história original de Reinaldo Morais e com roteiro de Antonia Baudouin, o longa é o segundo filme de Marquez, depois de “Maior que o Mundo” (2022). Eriberto Leão volta a trabalhar com o diretor como um dos vampiros.
A montagem acompanha várias linhas narrativas e personagens, com ritmo ágil. Otavio Muller e Natália Lage se destacam como o casal de políticos corruptos, especialmente nos embates recheados de palavrões usados para produzir humor. O resultado aposta no entretenimento e em uma aventura vampiresca sem pretensão de transformar a vida do público.








