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“Precisamos Falar” leva violência juvenil e privilégios à mesa de jantar

Filme brasileiro acompanha famílias que discutem o destino dos filhos após um crime registrado por câmera de segurança.

“Precisamos Falar” leva violência juvenil e privilégios à mesa de jantar
Foto: Rachel Tanugi/Divulgação

O filme brasileiro “Precisamos Falar” estreia nesta quinta-feira (24) com uma história sobre violência juvenil, desigualdade e proteção familiar. A trama parte da morte de uma mulher em situação de rua, atingida pela explosão de um caixa eletrônico onde dormia após um adolescente lançar contra o local um artefato de fogo de artifício. Outros dois jovens estavam presentes.

A polícia não identifica os responsáveis, mas os pais reconhecem os filhos nas imagens de uma câmera de segurança. O caso reúne dois casais brancos da elite econômica em um jantar. Um deles é formado pelos pais do adolescente que provocou a explosão; o outro, pelos responsáveis pelos dois garotos que o acompanhavam. Entre vinho e pratos de alta gastronomia, eles discutem se devem entregar os jovens às autoridades.

Família, política e desigualdade

Os dois homens são irmãos, e o adolescente apontado como autor da explosão é primo dos outros dois. Um dos garotos foi adotado e sofre, desde pequeno, bullying e racismo praticados pelo primo por ser negro. O pai dos dois meninos é candidato a governador e aparece como favorito nas pesquisas. O crime ocorre às vésperas da eleição e ganha grande repercussão.

Marjorie Estiano e Alexandre Nero interpretam os pais do adolescente que lançou o artefato. Hermila Guedes e Emílio de Mello vivem os pais dos outros dois jovens. As personagens femininas entram em confronto ao defender posições progressistas e antiprogressistas, enquanto o jantar expõe disputas sobre moral, ética, impunidade e desigualdade.

A produção é a quinta adaptação do livro holandês “O Jantar”, de Herman Koch. A obra foi inspirada na história real de uma mulher morta dessa maneira em 2005, em Barcelona. Uma versão americana chegou ao cinema em 2017, com Richard Gere.

A violência nas redes sociais

A adaptação brasileira amplia o suspense para além da mesa de jantar. Enquanto os pais tentam controlar o destino dos filhos, os adolescentes aparecem em sequências ambientadas no escuro. O roteiro também acrescenta a violência extrema praticada entre jovens nas redes sociais: o personagem que comete o crime publica na internet o vídeo da mulher morrendo queimada.

“Os garotos usam hoje as redes sociais para acessar as vítimas, marcar as ações e transmitir tudo”, afirma Sergio Goldenberg, autor do roteiro. Ele diz que a história o fez pensar no caso de uma menina de 13 anos, do Mato Grosso do Sul, induzida por adolescentes a se suicidar durante uma transmissão ao vivo do Discord. O episódio levou à proibição de lives da plataforma no país.

Goldenberg afirma que o filme coloca em conflito o dever de respeitar as leis e a Justiça e a expectativa de proteger um filho. Para ele, o público deve se colocar na posição dos personagens.

Produção e estreia

Thiago Voltolini, 24, interpreta o jovem que mata a mulher e exibe o crime nas redes sociais. O ator afirma ter buscado humanidade no personagem e diz que ele não é um psicopata, mas resultado da criação recebida em sua família e no grupo social em que vive.

A direção é de Rebeca Diniz e Pedro Waddington, em sua estreia no comando de longas-metragens. O roteiro é assinado por Goldenberg, com supervisão de George Moura. A produção é da Conspiração e da Globo Filmes.

“Precisamos Falar” chega a 80 salas de cinema. A produção tem poucos cenários e, segundo Goldenberg, foi realizada em um formato mais econômico. Depois da exibição nos cinemas, o filme deve chegar a plataformas de streaming.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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