A fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery foi concluída nesta terça-feira, e a empresa resultante passou a se chamar Skydance. O estúdio será comandado por David Ellison, cuja produtora original, criada em 2006, controla a Paramount desde o ano passado.
Ellison anunciou a produção de 30 filmes nos próximos dois anos e de outros 32 nos três anos seguintes. A meta supera o volume lançado pelas duas empresas no ano passado: 11 filmes da Warner e nove da Paramount.
Acordo e controle do mercado
A operação foi avaliada em US$ 110 bilhões, cerca de R$ 548 bilhões. O negócio foi anunciado em fevereiro, depois que Ellison superou a Netflix na disputa pela aquisição da Warner, que acumulava grandes dívidas.
A Justiça americana aprovou a fusão na semana passada, após um acordo com uma coalizão entre 12 estados liderados pela Califórnia. O estado havia tentado impedir a operação por receio de demissões em massa e de impacto nos custos de produção. Ellison afirmou que haverá cortes operacionais diante de uma dívida conjunta de US$ 80 bilhões.
O Cade considerou que o mercado brasileiro de distribuição consegue absorver a operação sem restrições. Nos Estados Unidos, o Cinema United afirmou que a Skydance poderá controlar 40% do calendário de estreias. O acordo prevê ainda uma janela exclusiva de 45 dias nos cinemas.
Também foram estabelecidas obrigações com sindicatos americanos de roteiristas e atores e a criação de um conselho destinado a garantir a isenção da CNN e da CBS News. A Skydance terá seis meses para nomear cinco integrantes, com limite de duas pessoas do mesmo partido. O órgão, porém, não poderá impedir contratações ou demissões de diretores.
Relação com Donald Trump
Críticos afirmam que a ligação da Paramount com Donald Trump pode subordinar parte de Hollywood aos interesses do presidente e reduzir a liberdade criativa. Larry Ellison, pai de David Ellison, é um dos fundadores da Oracle, apoiou campanhas do republicano e integra o conselho de ciência e tecnologia de Trump. Ele também acompanhou as negociações da fusão.
A CNN e a CBS News tiveram atritos recentes com Trump. A CNN processou o governo por violação da Primeira Emenda, depois que profissionais da emissora foram impedidos de entrar na Casa Branca. Embora tenha vencido o caso, a rede continua proibida de cobrir eventos específicos.
A Comissão Federal de Comunicações americana, a FCC, também aprovou a aquisição. O órgão exigiu que investidores estrangeiros, entre eles a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, não interfiram em linhas editoriais, produções audiovisuais ou na escolha de executivos.
Em 2025, a FCC havia autorizado a união entre a Paramount e a Skydance original, operação avaliada em US$ 8 bilhões. Antes da aprovação, a empresa encerrou uma ação movida por Trump contra a CBS, acusada de favorecer Kamala Harris durante as eleições.
Produções e cortes
A Paramount anunciou que Dana Goldberg e Josh Greenstein vão coordenar os estúdios, que devem manter duas estruturas de produção. A mudança alimenta dúvidas sobre a permanência de filmes críticos produzidos pela Warner, como Uma Batalha Após a Outra e Digger.
Digger foi dirigido por Alejandro González Iñárritu e custou US$ 150 milhões. O filme retrata um magnata que provoca um apocalipse ambiental e teve desempenho fraco nas bilheterias. Para Jeremy Kay, editor da revista Screen Daily, a fusão pode afetar especialmente o cinema independente.
Pelo acordo, 20% dos lançamentos anuais da Skydance devem ser blockbusters, enquanto a empresa terá de lançar pelo menos 4 filmes independentes por ano.
A união também pode alterar o catálogo digital. Ainda não há data para a integração entre a plataforma da Warner e o Paramount+, mas David Ellison prometeu preservar a essência da HBO. A combinação dos dois catálogos pode elevar o preço das assinaturas.
No setor de televisão, a Paramount cancelou The Late Show with Stephen Colbert sob justificativa de cortes financeiros e adiou a 27ª temporada de South Park. O programa de Colbert satirizava Trump, enquanto a série retratou o presidente como amante de Satanás.
O ator Mark Ruffalo se opôs à fusão e foi acusado de antissemitismo por Larry Ellison. Na semana passada, Ruffalo escreveu: “Nunca foi apenas uma fusão. Era uma luta contra bilionários oligarcas corruptos que atropelam os interesses dos outros”.








