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Luciany Aparecida leva novas imagens de mulheres negras à literatura brasileira

Autora baiana aborda ancestralidade, saúde mental e sexualidades diversas em romances ambientados em diferentes períodos do Brasil.

Luciany Aparecida leva novas imagens de mulheres negras à literatura brasileira

A escritora Luciany Aparecida concluiu “Tinta da Bahia”, romance previsto para ser publicado em 2027 pela Editora Alfaguara. A obra se passa na primeira metade do século 19 e tem Chica D’Água como protagonista, uma mulher marcada por problemas emocionais e pela experiência do sequestro e da travessia transatlântica.

Em sua literatura, Aparecida procura ampliar as representações de mulheres negras, especialmente as mais velhas e de sexualidades diversas. A autora afirma que deseja criar imagens de afeto, cuidado e autoridade para essas personagens, em vez de restringi-las a papéis fixos produzidos pela tradição literária.

Ancestralidade e saúde mental

O romance de estreia, “Mata Doce”, foi lançado em 2023, ficou entre os finalistas do Prêmio Jabuti em 2024 e recebeu o Prêmio São Paulo de Literatura. Em 2026, passou a integrar a lista de leituras obrigatórias da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

A história acompanha uma mulher cis, uma travesti e a filha adotiva das duas. As personagens vivem em um vilarejo no interior da Bahia, na primeira metade do século 20. O livro também aborda suicídio, alcoolismo e traumas relacionados a estupros, desaparecimentos e assassinatos.

As personagens Maximiliana dos Santos e Carminha, ialorixás mais velhas, representam a sabedoria e a autoridade da cultura afro-indígena da Bahia. “Uma mulher mais velha é muito respeitada”, diz Aparecida, ao relacionar essas figuras à ancestralidade e à transmissão de conhecimentos.

A escritora também associa problemas emocionais e comportamentos da população negra a traumas produzidos historicamente pela opressão. Em “Tinta da Bahia”, Chica D’Água ouve vozes e tem dificuldade para permanecer conectada ao presente. Para Aparecida, essas experiências estão ligadas ao trauma da travessia transatlântica e do sequestro.

Um diálogo além da própria comunidade

Mulheres pretas e pardas representam 49% dos consumidores de livros, enquanto as mulheres respondem por 61% desse consumo, conforme dados da Câmara Brasileira do Livro. Aparecida afirma que se sente feliz por colocar mulheres no centro de seu projeto, mas sua obra também apresenta personagens masculinos complexos.

O escritor e tradutor David H Treece avalia que “Mata Doce” oferece uma perspectiva feminina intensa sobre a vida em um contexto rural e patriarcal. Para ele, os homens do romance não são apenas antagonistas: enfrentam conflitos familiares e têm trajetórias próprias.

A inclusão do romance na lista do vestibular 2027 da Uesb levou a obra a um público mais amplo. As provas são realizadas em Jequié, Itapetinga e Vitória da Conquista. Aparecida nasceu em Jaguaquara e estudou para ingressar no curso de história da universidade.

A autora diz esperar que a literatura também alcance leitores que não compartilham inicialmente das causas negra e LGBT. Ela conta que escreveu “Mata Doce” durante a pandemia, em meio a discursos de ódio contra mulheres, pessoas negras e LGBT, e queria dialogar com quem desejava a morte de pessoas como ela.

Sobre a possibilidade de o livro mudar a visão de alguém que defendia a extrema direita em 2020, Aparecida responde que não sabe. Ainda assim, afirma querer acreditar que uma leitura literária possa alterar o percurso de uma pessoa até 2026.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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