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Exposição do Masp cruza cosmologias, cidades e símbolos da América Latina

Mostra reúne quase 200 obras em cinco andares e aborda colonização, urbanização, identidades e formas de resistência cultural.

Exposição do Masp cruza cosmologias, cidades e símbolos da América Latina
Foto: Oscar Balducci/Divulgação

Quase 200 obras ocupam cinco andares do edifício Pietro Maria Bardi em uma exposição do Masp sobre a diversidade de culturas, histórias e projetos de poder na América Latina. A mostra reúne trabalhos que atravessam cosmologias indígenas, cidades modernas, circulação de mercadorias, independência e reapropriações religiosas.

A curadora Amanda Carneiro define a região como uma composição de grupos que desenvolveram estratégias próprias de existência. “A ideia da mostra é apresentar a América Latina como uma composição, um rizoma de vários grupos que criaram suas estratégias para também ser felizes”, afirma.

Entre as obras, uma instalação do cubano Carlos Garaicoa guarda frutas, pedras, grãos e maquetes de prédios em potes de vidro. O conjunto relaciona símbolos naturais e urbanos a métodos científicos usados para estudar e controlar seres vivos.

Cidade, mercado e controle

A exposição também aproxima imagens de arranha-céus, fábricas e outras estruturas urbanas de cidades como São Paulo, Buenos Aires e a Cidade do México. Uma pintura de Juan O’Gorman sobrepõe um mapa ancestral a uma visão de prédios e ruas.

O uniforme de Damián Ortega, feito com sacos de cimento, e as fotografias de Marcelo Cidade, que inserem falhas eletrônicas em paisagens de favelas, aparecem como críticas a mecanismos de controle. Mariana Castillo Deball desenha São Paulo no chão com traços pré-coloniais.

Plantas de Brasília e projetos modernistas de Lúcio Costa e de outros arquitetos criam um contraste com as formas indígenas de pensar o espaço. Para Carneiro, essa aproximação evidencia inteligências que já foram classificadas como primitivas.

Outro núcleo questiona a circulação de mercadorias e seus efeitos ideológicos. Antonio Caro, Cildo Meireles e Rivane Neuenschwander reelaboram sinais associados à Coca-Cola. Anna Bella Geiger representa o Brasil retirando partes do miolo de fatias de pão, enquanto Garaicoa reúne commodities e elementos urbanos.

Identidade, independência e reapropriação

A seção “Sociedades Americanas” reúne obras sobre a independência de povos latinos. Abdias do Nascimento inscreve saudações de matriz africana na bandeira do Brasil; Paulo Nazareth aborda vínculos entre corpos negros; e Daniel Lind-Ramos cria um barco com instrumentos musicais e sacos marcados por datas de episódios coloniais.

Em “O Mundo ao Revés”, a mostra trata da reapropriação de ideais cristãos impostos por forças externas. “Our Lady”, de Alma Lopez, parodia a Virgem de Guadalupe. Adriana Varejão cria uma cicatriz em uma obra chinesa do século 12, e Vivian Caccuri compara o parasitismo estrangeiro ao de insetos.

Também estão na seção uma obra inédita de Sandra Gamarra Heshiki, que altera uma cartografia histórica com óxido de ferro, e uma escultura de Márcia X com artigos religiosos pendurados em um objeto fálico. “A ideia é questionar uma moralidade que veio de fora e pautou o comportamento de populações locais”, diz Carneiro.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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