ARLES — O cineasta Tony Gatlif morreu nesta quarta-feira, aos 77 anos, em Arles, no sudeste da França. Ele trabalhava em um projeto de filme histórico. A morte foi comunicada pela família nesta sexta-feira.
Gatlif dirigiu 25 filmes desde 1975 e ficou conhecido por abordar a cultura cigana, com forte presença da música. A família afirmou que a beleza, a generosidade, a alegria, a poesia e o amor pela música permanecerão entre eles. Os parentes também lhe desejaram “latcho drom”, expressão que significa “boa viagem” na língua do povo cigano e dá nome a um de seus filmes.
Nascido Michel Dahmani em 10 de setembro de 1948, na Argélia, o diretor era filho de pai cabila e mãe cigana. Depois de deixar o país, viveu alguns anos como andarilho antes de chegar à França, onde conheceu o teatro e o cinema.
Filmes e música
O primeiro longa de Gatlif foi “Corre, Gitano”, rodado em Granada, na Espanha, com o dançarino de flamenco e coreógrafo Mario Maya. Mais tarde, ele voltou ao país para filmar “Vengo”, na Andaluzia, com o dançarino de flamenco Antonio Canales.
A música ocupou papel central em sua filmografia. “Vengo” apresenta o flamenco, enquanto “Djam” utiliza o rebético, tradição musical grega. Entre seus trabalhos estão “O Estrangeiro Louco”, de 1997, e “Exílios”, que lhe rendeu o prêmio de melhor direção em Cannes. Seu último longa-metragem, “Ange”, estreou em 2025.
“O Estrangeiro Louco” é uma homenagem à música cigana. O filme acompanha um jovem francês idealista, interpretado por Romain Duris, que segue uma cantora encontrada em um acampamento cigano na Romênia.
Em 2021, Gatlif declarou: “Travei uma batalha contra meu destino, contra mim mesmo, e isso não é pouca coisa”.








