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Filme em Veneza reúne relatos sobre ataques a civis em Gaza

Documentário de dois jovens israelenses apresenta depoimentos anônimos sobre métodos e ordens da guerra na Faixa de Gaza.

Filme em Veneza reúne relatos sobre ataques a civis em Gaza
Foto: Divulgação

Depoimentos de ex-integrantes da inteligência militar de Israel são o centro de “Naza”, documentário exibido no penúltimo dia da competição oficial do Festival de Veneza. As entrevistas abordam critérios usados em ataques na Faixa de Gaza e ordens para bombardear áreas com civis.

Relatos sob anonimato

Dirigido por dois jovens israelenses, o filme foi produzido entre 2023 e 2025, parte dele para a cobertura do jornal britânico The Guardian. As conversas ocorreram à noite, em telhados de edifícios de Tel Aviv. Vozes e imagens foram modificadas para preservar a identidade dos entrevistados.

Um dos participantes afirma que, para cada alvo — definido como um homem suspeito de integrar o Hamas, grupo que governa a Faixa de Gaza desde 2007 —, até 25 civis podem ser mortos como dano colateral. Outro diz ter recebido ordem para bombardear prédios onde havia até 500 pessoas.

O repórter Yuval Abraham pede que os entrevistados expliquem os procedimentos militares por meio de desenhos em uma folha de papel. Os depoimentos descrevem ataques noturnos contra locais onde os alvos estariam, mesmo com mulheres, crianças e idosos próximos, além de operações em áreas do norte de Gaza escolhidas pelo governo de Israel para serem eliminadas.

Inteligência artificial e decisões militares

Um dos relatos afirma que não há uma divisão visível no terreno indicando até onde um palestino poderia chegar. Essa delimitação estaria presente nos programas de inteligência artificial usados por oficiais do Exército, que recebem ordens para eliminar determinadas áreas.

Segundo o filme, esses locais tinham residências, escolas, hospitais e comércio antes do início da guerra. Por isso, os ataques contra esses estabelecimentos seriam apresentados como resultado de uma ordem, e não de um erro.

Com 80 minutos, “Naza” provocou reação na reta final do festival durante a sessão para a imprensa e a entrevista coletiva posterior. O longa é construído principalmente a partir de depoimentos de pessoas que trabalharam nas Forças Armadas ou tiveram acesso a informações e procedimentos secretos.

Os entrevistados relatam sensações distintas após as missões, incluindo prazer, remorso, terror e arrependimento. A investigação, porém, se concentra nos mecanismos de uma guerra conduzida à distância, por meio de cálculos e comandos, sem um desfecho apresentado no horizonte.

No ano passado, o Festival de Veneza também exibiu “A Voz de Hind Rajab”, de Kaouther Ben Hania, vencedor do Grande Prêmio do Júri. O filme partia da gravação real de uma menina de seis anos presa em um carro sob ataque, com a família morta ao lado. As duas produções tratam da guerra por perspectivas diferentes: uma acompanha quem relata os procedimentos militares; a outra, quem sofre a violência.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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