ESTOCOLMO — A Academia Sueca mantém em sigilo os critérios usados para escolher o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. O público só pode saber quais candidatos foram considerados e não venceram após 50 anos, quando a instituição divulga os arquivos do processo.
O anúncio do vencedor de 2026 será feito na quinta-feira (08). Can Xue aparece como favorita, enquanto Margaret Atwood e Salman Rushdie também estão entre os concorrentes citados.
Do convite à lista final
A seleção começa em setembro do ano anterior ao anúncio, quando o Comitê Nobel envia formulários a centenas de pessoas e organizações autorizadas a indicar autores. O grupo inclui professores de literatura e linguística, vencedores anteriores do Nobel de Literatura e dirigentes de associações de escritores. Pessoas que se encaixam nesses critérios, mas não recebem o formulário, também podem enviar indicações.
A lista pode chegar a 200 autores por ano, segundo Gisele Sapiro, diretora de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França. O comitê ainda pode incluir escritores indicados em edições anteriores ou acrescentar nomes por iniciativa própria.
No segundo trimestre do ano seguinte, o comitê reduz os concorrentes a cinco nomes e apresenta a seleção à Academia Sueca. Entre junho e setembro, os integrantes da instituição leem as obras e discutem os candidatos. A decisão é anunciada no início de outubro.
O que pesa na escolha
Alfred Nobel determinou em testamento que o prêmio deveria ser entregue pela “obra mais destacada em uma direção idealista”. A formulação permite interpretações amplas. Para Gisele Sapiro, a Academia procura reconhecer uma literatura ambiciosa e influente, capaz de criar um movimento literário, mas também universal e apta a ultrapassar sua cultura de origem.
A circulação por meio de traduções pode ajudar. Sapiro afirma que, desde 1990, todos os vencedores haviam sido traduzidos para o inglês, o francês e o alemão, com exceção de Abdulrazak Gurnah, vencedor de 2021, que ainda não tinha tradução para o alemão. Outros prêmios, como o International Booker Prize, o Prêmio Cervantes e o Prêmio Büchner, também podem favorecer um indicado.
Histórico e diversidade
A espera entre a primeira indicação e a vitória pode durar décadas. Johannes V. Jensen ganhou em 1944, depois de 40 anos. Doris Lessing venceu em 2007, após 35 anos, e Thomas Mann recebeu o prêmio em 1929, depois de 27 anos.
A Academia já premiou romances, poesias e peças teatrais. Em 2016, Bob Dylan foi reconhecido por suas letras de música. A política também pode influenciar decisões: Svetlana Alexievich, vencedora de 2015, se opunha ao regime de seu país e criticava Alexander Lukashenko.
Dos 122 laureados, apenas 33 vieram de fora da Europa. A alternância entre homens e mulheres só ocorreu nos últimos oito anos, elevando a participação feminina no total de vencedores para 14,9%.








