Anne Carson ganhou nesta quinta (8) o Nobel de Literatura. A escritora canadense construiu uma obra que reúne poesia, prosa, tradução e estudos clássicos, com trabalhos que atravessam os limites entre os gêneros.
Em suas reflexões sobre a literatura, Carson descreveu o poema como uma experiência que envolve tanto quem escreve quanto quem lê. Para ela, quando funciona, um poema registra uma ação mental em uma página, e o leitor precisa participar desse movimento.
A autora também associou a poesia à liberdade de abandonar uma sequência previsível de ideias. Em vez de acumular dados e avançar gradualmente, o pensamento poético exigiria reconhecer o que se sabe naquele momento. “Há algo de libertador nisso”, afirmou.
Escrita e tradução
Carson afirmou que traduzir não tem uma solução definitiva. “Tradução é simplesmente um poço sem fundo”, disse, ao descrever um processo em que o trabalho considerado melhor pode acabar sendo descartado.
Ela também questionou a aparência de objetividade das palavras. Na avaliação da escritora, os adjetivos revelam a perspectiva de quem descreve, enquanto substantivos e verbos conseguem se apresentar com mais facilidade como fatos objetivos.
Outra imagem usada por Carson compara os gêneros literários: se a prosa é uma casa, a poesia é um homem em chamas correndo muito rápido dentro dela. A escritora disse ainda que tenta fazer a mente das pessoas se mover para lugares onde nunca esteve antes, contrariando a tendência à inércia.








