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Anne Carson leva Nobel de Literatura após décadas de obra sem rótulo fixo

A escritora canadense rejeita classificações para seus livros, que combinam referências clássicas, linguagem moderna e formatos indefinidos.

Anne Carson leva Nobel de Literatura após décadas de obra sem rótulo fixo
Foto: AFP

Anne Carson venceu o Nobel de Literatura nesta quinta (8), depois de construir uma obra que desafia classificações literárias. Quando editores tentam definir sua produção, a própria escritora costuma responder: “Anne Carson nasceu no Canadá e é professora de grego antigo”.

Carson é associada a categorias como poeta, romancista, tradutora, classicista, feminista, dramaturga e ensaísta. Ela, porém, rejeita esses rótulos em entrevistas e na própria obra. Seus livros também são apresentados com descrições que misturam gêneros e dificultam uma definição única.

Livros entre gêneros

O primeiro poema da autora, “Cannicula di Anna”, foi publicado em 1984 e é chamado por ela de “um ensaio”. A tese de doutorado “Eros, o Doce-Amargo” recebeu a mesma classificação quando foi publicada dois anos mais tarde.

“Autobiografia do Vermelho”, de 1998, traz o subtítulo “um romance em versos”, embora não tenha caráter autobiográfico. Em “A Beleza do Marido”, de 2001, a descrição é “um ensaio ficcional em 29 tangos”.

A relação de Carson com textos clássicos em grego e latim atravessa sua produção. “Eros, o Doce-Amargo”, publicado no Brasil em 2022 pela Bazar do Tempo, parte de Safo. “Economy of the Unlost”, ainda não traduzido para o português, toma como referência Simonides.

A autora também aproxima esses textos de nomes modernos, como Gustave Flaubert, Marilyn Monroe, Virginia Woolf, Yves Klein, Paul Celan, Martin Heidegger e Simone Weil. Em “Autobiografia do Vermelho”, aparece o pensamento de Heidegger. Já “Descriação”, da coletânea “Ensaio sobre Aquilo em que Mais Penso”, dialoga com Simone Weil.

O erro como possibilidade

O poema “Ensaio sobre Aquilo em que Mais Penso”, de 1999, trata do erro e de suas emoções a partir de um fragmento atribuído a Álcman, poeta grego que viveu no século 7º a.C. O que parece um erro aritmético é transformado por Carson em gesto artístico, criativo e didático.

Em “Eros, o Doce-Amargo”, ela escreve sobre o sujeito dos poemas de amor: “Não é a pessoa amada. É aquele buraco”. A ideia do vazio também aparece em seu diálogo com John Cage e em reflexões sobre linguagem, desejo e incompreensão.

O livro mais recente da autora, “Wrong Norma”, deve sair pela 34 no próximo ano. Nele, Carson volta a questionar a própria forma do romance e sugere a eliminação de elementos como enredo e consequências.

Com a conquista do Nobel de Literatura de 2026, a descrição usada pela autora para apresentar a si mesma pode ganhar um novo complemento.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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