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Cultura: planos de Lula e Flávio divergem sobre financiamento e atuação do Estado

Programas tratam de descentralização e incentivo, mas só Lula detalha propostas para audiovisual, cultura digital, educação e economia criativa.

Cultura: planos de Lula e Flávio divergem sobre financiamento e atuação do Estado
Foto: Mauro Pimentel and Evaristo Sa/AFP via Getty Images

Os programas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro para a Cultura convergem na redução da concentração regional dos recursos e na revisão dos mecanismos de incentivo, mas divergem sobre a atuação do poder público. A diferença aparece no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

Lula defende a continuidade e a ampliação das políticas públicas de financiamento, das estruturas federais e da participação social. Flávio concentra o plano na valorização das tradições brasileiras, na preservação do patrimônio, na descentralização dos recursos e na revisão das leis de incentivo.

Financiamento e distribuição regional

Flávio propõe aperfeiçoar as leis de incentivo para favorecer polos culturais fora dos grandes centros e artistas com “grande mérito artístico”, mas pouca projeção. O programa não detalha como seriam alterados os critérios de distribuição dos recursos.

Lula cita a Lei Rouanet e a Lei Aldir Blanc e promete aperfeiçoá-las de forma “transparente e democrática”. O plano também prevê ampliar o apoio a diferentes manifestações culturais e fortalecer o Conselho Nacional de Política Cultural e os Comitês de Cultura Estaduais.

A proposta de Lula inclui ainda investimentos em CEUs, MovCEUs, bibliotecas públicas, Pontos e Pontões de Cultura, além de programas de circulação e mobilidade artística. Flávio afirma que pretende levar a arte para mais regiões, sem apresentar detalhes sobre a mudança das regras.

Audiovisual e ambiente digital

Cinema, streaming e cultura digital aparecem no plano de Lula, mas não são citados no programa de Flávio. Lula promete manter a Cota de Tela e fortalecer o Fundo Setorial do Audiovisual.

A Cota de Tela obriga os cinemas a reservar parte da programação para filmes brasileiros de longa-metragem. A regra foi restabelecida em 2024, depois de expirar em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro.

O programa de Lula também defende a regulamentação dos serviços de streaming. Um projeto aprovado pela Câmara em 2025 e em tramitação no Senado prevê a cobrança da Condecine sobre plataformas, cotas de conteúdo brasileiro e mecanismos de estímulo à produção nacional. A alíquota pode chegar a 4% do faturamento das empresas.

Na área digital, Lula propõe uma lei sobre direitos autorais, especialmente para o uso de inteligência artificial na produção cultural. A medida buscaria garantir remuneração a músicos, autores e artistas quando plataformas online utilizarem conteúdo de artistas brasileiros.

Patrimônio, educação e economia criativa

Flávio promete recuperar e preservar centros históricos, obras e acervos. O plano também destaca a formação do país por diferentes grupos de imigrantes e a miscigenação como elementos a serem celebrados.

Lula prevê políticas de salvaguarda para mestres e mestras das culturas populares e tradicionais e a continuidade dos investimentos na restauração do patrimônio histórico e artístico. A proposta mantém a Bolsa Cultura Viva, que paga R$ 2.100 por mês aos selecionados.

O plano de Lula inclui ainda empreendedorismo, inovação, formação profissional e acesso a crédito na economia criativa. Os games são apresentados como setor estratégico, com continuidade do apoio à indústria após a sanção do Marco Legal dos Games.

Na educação, Lula propõe integrar atividades artísticas ao currículo escolar, ampliar a formação de público e desenvolver criatividade, capacidade crítica e letramento digital.

Papel do poder público

O programa de Lula define a cultura como direito fundamental e instrumento de desenvolvimento econômico e social. Também defende o fortalecimento do Ministério da Cultura e a participação da sociedade na formulação e no acompanhamento das políticas.

Flávio afirma que a política cultural deve seguir princípios como transparência e liberdade de expressão, sem subordinação a agendas políticas. O plano diferencia cultura de entretenimento comercial, mas não estabelece os critérios para essa separação.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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