O produtor musical Rick Rubin afirma que as letras de Jay-Z têm uma complexidade que passa despercebida para parte do público. A avaliação é o ponto central de “Jay-Z em 8”, série em que os dois conversam sobre a vida, a carreira e as músicas do rapper.
“Ele é um mestre da escrita”, diz Rubin. Para o produtor, tanto o conteúdo das letras quanto as palavras usadas por Jay-Z para descrevê-lo são únicos.
Conversas sobre música e trajetória
Disponível na Mubi, a produção tem oito episódios e foi gravada em preto e branco. O formato reúne apenas Rubin e Jay-Z em uma sala, ouvindo música e conversando, sem cenas de arquivo ou depoimentos de outras pessoas. Trechos das letras são usados por Rubin para ilustrar os assuntos discutidos.
Jay-Z comenta as motivações por trás de canções como “Meet the Parents”, “What More Can I Say” e “Brooklyn's Finest”. Ele também fala sobre amizades e trabalhos com Tupac e Biggie Smalls. Em outro momento, afirma que se arrepende de ter escolhido “Change Clothes” como música de trabalho de “The Black Album”, em vez de “Encore”.
Rubin conta que as conversas foram longas e sem roteiro. A ideia inicial era organizar o material em seis episódios, mas a quantidade de informações levou à divisão em oito partes. Para ele, encontrar o formato adequado ao conteúdo também faz parte do trabalho de um produtor musical.
A leitura de Rubin sobre o hip-hop
O produtor afirma que muitos ouvintes se concentram na batida, no ritmo, nas rimas e no gancho, mas não percebem toda a informação presente nas letras. Segundo Rubin, o rap pode apresentar uma quantidade de texto muito maior que uma canção pop, com duplos sentidos e metáforas que nem sempre são captados por quem ouve casualmente.
Rubin diz ter ficado surpreso com as histórias pessoais compartilhadas por Jay-Z e afirma que a série ampliou sua compreensão sobre a vida, o trabalho e as habilidades do rapper. A experiência também aumentou sua admiração pelo hip-hop.
Antes de “Jay-Z em 8”, Rubin participou de “McCartney 3, 2, 1!”, série disponível no Disney+ em que conversou com Paul McCartney sobre a carreira e as preferências musicais do ex-Beatle. Como produtor, trabalhou com artistas como Red Hot Chili Peppers, Johnny Cash, System of a Down, Slayer, The Strokes, Public Enemy, LL Cool J, Run-DMC e Beastie Boys.








