Claudia Faissol busca parceria para produzir um documentário sobre João Gilberto a partir de um acervo de fotos, filmes, documentos e gravações ainda não totalmente examinado. Ela já tem um curta-metragem de 15 minutos editado e um roteiro de longa sem título, mas ainda não definiu o diretor nem fechou o orçamento.
A jornalista, mãe de Luísa Carolina, filha caçula do músico, pretende encontrar uma empresa que ajude também a levar o projeto ao exterior. Ela afirma que João autorizou a biografia e o documentário em documentos registrados em cartório. Duas autorizações, datadas de 2000 e 2005, detalham a produção e a captação de recursos.
Faissol diz que precisa revisar e preservar o material, parte do qual deve ser transferida para novos formatos. O arquivo reúne registros inéditos de canções, cenas domésticas, viagens, bastidores de shows e momentos de João com familiares. Também há gravações em que o músico responde a perguntas. Ainda não foi calculada a quantidade de fotografias nem a duração total dos vídeos.
As imagens foram feitas principalmente por Faissol desde a década de 1990, em cidades brasileiras e no exterior. Depois do nascimento de Luísa, em 2004, ela passou a contratar cinegrafistas para registrar apresentações do músico. João, porém, demonstrava resistência a câmeras e gravações que não controlasse.
“Ele dizia que não conseguia sentir-se à vontade em saber que estava sendo filmado”, afirma Faissol. Ela conta que tentou convencê-lo por cartas e telefonemas e que, em alguns shows, equipamentos chegaram a ser recolhidos. Segundo a jornalista, João permitia os registros feitos por ela, mas não autorizava o uso indiscriminado das imagens por terceiros.
Faissol pretende participar do desenvolvimento do documentário e, depois, realizar um filme baseado em acontecimentos reais. Ela também trabalha em uma série de pinturas chamada “Bossa-Nova Raiz”, inspirada nas músicas que aprendeu com João.
O acervo inclui ainda documentos relacionados à carreira do músico. Uma carta da Universidade Columbia, de Nova York, datada de dezembro de 2016, convidava João a receber o título de doutor em música honoris causa em uma cerimônia marcada para 17 de maio de 2017. Em 20 de janeiro de 2017, ele respondeu que aceitava o convite.
Parte das imagens já foi usada por Loulu Gilberto, nome artístico de Luísa. No álbum de estreia, lançado em maio, a cantora retomou canções que costumava ouvir e cantar com o pai em casa, com apoio de vídeos caseiros feitos por Claudia. Em setembro, Loulu foi indicada ao Grammy Latino por “O Amor nos Encontrou” e na categoria de melhor artista revelação. A premiação será realizada em 12 de novembro.
A organização do material ocorre enquanto permanecem disputas relacionadas à sucessão de João, morto em 2019, aos 88 anos. Faissol entrou na Justiça há dois anos para pedir o reconhecimento de união estável. A sucessão ainda não tem definição final.
O objetivo imediato da jornalista é concluir o levantamento do acervo, encontrar uma estrutura profissional para preservá-lo e definir com produtores o formato final do projeto. O curta-metragem editado é, por enquanto, a primeira montagem desse material.








