“Street Fighter” estreia nesta quinta-feira (15), mas chega aos cinemas sem conseguir transformar sua extensa lista de personagens em combates empolgantes. A produção encontra momentos de humor e reproduz elementos conhecidos dos games, porém a narrativa se dispersa antes de desenvolver seus conflitos e suas lutas.
A história acompanha Ryu e Ken, dois artistas marciais que foram criados juntos e se afastaram. O reencontro acontece em um torneio organizado por um ditador, que pretende roubar os poderes de um deles. Essa relação poderia sustentar o filme, mas a trama também se divide entre uma agente da Interpol movida por vingança, o vínculo de um dos protagonistas com seu agente medroso e um demônio misterioso que ameaça os demais personagens.
A lista ainda inclui um brutamontes russo, um lutador de sumô, um soldado americano, um monstro verde e mulheres com roupas sumárias. A quantidade de participações reduz o espaço disponível para cada intérprete e faz com que escolhas interessantes de elenco acabem subaproveitadas.
Elenco sem espaço para brilhar
Curtis “50 Cent” Jackson interpreta Balrog, boxeador inspirado em Mike Tyson, enquanto Orville Peck vive Vega, o capanga mascarado. Os dois poderiam render cenas marcantes, mas aparecem em uma história já sobrecarregada. Zangief, interpretado por Olivier Richters, surge brevemente, executa um golpe e desaparece, em uma participação que ganha contornos de humor involuntário durante os créditos.
O roteiro foi coescrito pelo diretor Kitao Sakurai, de “Bad trip”. Ryu é vivido por Andrew Koji, e Ken, por Noah Centineo. Callina Liang, de “Presença”, interpreta Chun-Li e combina carisma com dedicação física nas cenas de ação.
A química entre os três protagonistas é um dos pontos mais promissores. O filme também acerta nos golpes especiais, no humor e na animação usada para apresentar o passado dos personagens. Os cenários remetem a fases clássicas da franquia, as roupas evitam parecer apenas fantasias de cosplay e os efeitos dos ataques funcionam em parte.
Ainda assim, quando Ryu e Ken demonstram alguma conexão ou Chun-Li inicia uma sequência de chutes, a montagem interrompe o momento para retornar a outras linhas narrativas. O resultado são lutas sem energia e uma adaptação que, ao tentar incluir lutadores demais, deixa de dar atenção ao próprio combate.







