A nova adaptação de Street Fighter chega aos cinemas brasileiros no dia 15 com um elenco submetido a treinamento físico intenso e cenas de combate feitas com o mínimo possível de dublês. A proposta é reproduzir no cinema as cores, o humor e o ritmo dos fliperamas, sem tentar suavizar a fantasia da franquia.
Andrew Koji, intérprete de Ryu, realizou a maior parte das próprias cenas de ação. O ator britânico de 38 anos rompeu a panturrilha durante a luta final contra Akuma, vivido por Roman Reigns. Mesmo lesionado, participou de parte das sequências seguintes, envolvendo Blanka e Ken.
“Eu rompi a panturrilha filmando a grande luta contra o Akuma”, afirmou Koji. Segundo ele, a equipe ainda tinha duas cenas de luta para concluir depois do acidente.
Treinamento e acidentes
David Dastmalchian, que interpreta M. Bison, também se machucou durante uma cena. O personagem precisava golpear uma pilha de blocos de cimento, e o ator aumentou a força dos golpes até tirar as luvas com as mãos cobertas de sangue.
Callina Liang passou três meses treinando muay thai, taekwondo e wushu para viver Chun-Li. O trabalho foi concentrado nos membros inferiores, em busca das pernas musculosas e dos chutes rápidos da personagem. A atriz disse ter ganhado quase 10 quilos em um mês e meio, comendo de duas em duas horas.
O principal teste de Liang foi uma luta filmada durante duas semanas no escritório de Bison. Ela definiu a experiência como caótica, mas divertida.
A direção de Kitao Sakurai priorizou a preparação física e a execução dos combates. O diretor afirmou que a produção teve sorte por não repetir os problemas associados à adaptação de 1994. Para ele, o novo filme não está no mesmo universo da versão anterior, mas faz referências carinhosas à história da franquia em diferentes mídias.
A comparação com 1994
Os bastidores de Street Fighter: A Última Batalha foram marcados por dificuldades na Tailândia. Jean-Claude Van Damme faltava a filmagens matinais e levava a equipe a improvisar cenas com atores secundários. O ator também vivia, segundo o relato sobre a produção, o auge de seu vício em cocaína.
Raul Julia, escolhido para interpretar Bison, havia passado por uma cirurgia de câncer de estômago. O cronograma foi reorganizado para que ele pudesse descansar e ganhar peso antes da gravação dos diálogos em plano fechado. Julia concluiu sua participação, mas morreu antes da estreia.
As instalações em Bangkok tinham problemas estruturais, com buracos no teto que dificultavam as cenas escuras. A água do rio local provocava irritações na pele, enquanto integrantes do elenco enfrentavam desnutrição. Produtores também sofreram enfarte e acidentes graves no trânsito.
As lutas tiveram pouco tempo de ensaio, gerando conflitos entre o coordenador de dublês, Charlie Picerni, e o diretor Stephen E. de Souza. A Capcom ainda exigiu cortes de sangue para evitar uma censura adulta nos Estados Unidos. Com isso, golpes especiais, incluindo os efeitos visuais do Hadouken de Ryu, não foram finalizados a tempo.
Um novo Bison
Dastmalchian disse que a interpretação de Raul Julia pesou na preparação para o papel. Em vez de imitá-lo, o ator buscou referências em Marlon Brando em Apocalypse Now (1979), em ditadores reais e em personagens de Shakespeare.
O novo filme pretende assumir o caráter absurdo e irreverente de Street Fighter. Sakurai afirmou que a equipe decidiu não transformar a franquia em uma adaptação mais séria ou sóbria. A intenção foi mergulhar na estética colorida e na insanidade própria dos jogos.








