RIO DE JANEIRO — A participação de Aylla Lacerda como Tom, mascote das Paralimpíadas de 2016, terminou com uma entrada no show de Ivete Sangalo durante a cerimônia de encerramento, no Maracanã. A atriz estava dentro da fantasia quando uma criança correu para abraçá-la; em seguida, descobriu que o menino era filho da cantora.
O encontro ocorreu no túnel do estádio, depois que o carro de Ivete chegou ao local. Eric Malvão, então namorado de Aylla e hoje marido dela, conversou com a organização da Rio 2016 para encontrar uma maneira de incluir a mascote na apresentação. A participação foi aprovada, e Aylla também teve acesso ao camarim e tirou uma foto com a cantora.
Calor, peso e anonimato
A rotina como Tom começou meses antes dos Jogos e continuou além dos 12 dias do calendário oficial. Aylla participou de festividades e acompanhou atividades em locais de competição sem revelar sua identidade. Um contrato de confidencialidade firmado pela organização da Rio 2016 impediu que ela falasse publicamente sobre o trabalho por alguns anos.
A fantasia chegou a pesar 13kg antes de ser modificada. Segundo Aylla, o traje apertava o abdômen e tornava difícil até comer antes das apresentações. Em um dos dias, ela afirma ter perdido dois quilos por causa do suor. “Era uma coisa que exigia muito do físico”, disse a atriz.
A escolha de Aylla também esteve relacionada à altura. Para vestir Tom, era necessário ter baixa estatura, e ela mede 1,60m. Eric participou do processo que selecionou as pessoas responsáveis por interpretar Tom e Vinícius, mascote das Olimpíadas.
Interação com atletas e torcedores
Eric atuou como diretor artístico nas Olimpíadas e Paralimpíadas. Ele definia os movimentos das mascotes, criava coreografias e orientava os atores que usavam as fantasias. Durante as competições, Aylla passava horas sob a roupa e tinha a tarefa de interagir com o público.
A atriz diz que as crianças reagiam à mascote como se ela fosse um desenho próximo delas. Também guarda lembranças do contato com os atletas e das muitas fotos tiradas ao longo do evento.
Caminhos depois dos Jogos
Aylla e Eric continuaram trabalhando com mascotes e prestaram serviços a clubes de futebol, como Flamengo e Fluminense. Atualmente, o casal se dedica ao teatro. Eles afirmam que a experiência na Rio 2016 trouxe ganhos profissionais e também marcou a vida pessoal: depois dos Jogos, se casaram e tiveram Lavínia, de quatro anos.
Para Eric, o trabalho teve impacto sobre as pessoas envolvidas no projeto. Ele contou que recebeu mensagens de agradecimento depois de uma matéria sobre Vinícius e afirmou: “Foi muito cansativo, mas valeu a pena, e eu faria tudo de novo.”








