Duas mulheres que se identificam como sobreviventes de crimes sexuais atribuídos a Jeffrey Epstein entraram com uma ação em Nova York para pedir ao menos US$ 6 milhões, cerca de R$ 32 milhões, aos responsáveis pelo espólio do ex-financista.
Protocolado na terça-feira (15/9) no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, o processo afirma que imagens de abuso sexual infantil envolvendo as autoras fazem parte do material apreendido em propriedades ou dispositivos controlados por Epstein.
As mulheres, identificadas no processo pelos pseudônimos “Jane Doe” e “Amy”, movem a ação em nome próprio e de uma possível classe de outras pessoas retratadas nas imagens. Elas também pedem que a Justiça determine a criação de um programa para identificar e notificar as pessoas que aparecem no material.
A ação solicita ainda indenização estatutária de US$ 150 mil para cada integrante da classe que venha a ser reconhecido pela Justiça, além de danos compensatórios e punitivos.
Alegações apresentadas
De acordo com a petição, Jane Doe tinha cerca de 12 anos quando Epstein teria obtido fotos parcialmente nuas dela. As imagens haviam sido produzidas para um estudo artístico e mantidas pelo autor em um local trancado. O processo afirma que Epstein furtou o material, o conservou para fins sexuais e o transportou entre estados.
Jane Doe relata que só descobriu posteriormente o que teria ocorrido e afirma enfrentar consequências emocionais até hoje.
Amy é apontada na ação como uma das pessoas retratadas na série de material de abuso sexual infantil conhecida como “Misty”. As imagens são descritas como circulando desde o fim dos anos 1990. Segundo o processo, fotos dela foram localizadas no acervo apreendido de Epstein, que ainda não teria sido totalmente examinado para identificar todas as possíveis vítimas.
A petição informa que 38.934 imagens foram analisadas e que o processamento pelo programa de identificação de vítimas do NCMEC ainda não havia terminado.
Os réus são Darren K. Indyke, ex-advogado de Epstein, e Richard D. Kahn, ex-contador do financista. Os dois respondem exclusivamente como co-executores do espólio.
Epstein foi investigado por exploração sexual de menores e tráfico sexual. Em 2008, declarou-se culpado de acusações estaduais na Flórida. Em 2019, foi preso novamente por acusações federais de tráfico sexual e morreu naquele mesmo ano sob custódia em Nova York. A nova ação busca responsabilizar o espólio pelos danos alegados e criar um mecanismo para localizar outras possíveis vítimas.








