MIAMI — A autorização para a Rússia vender diesel nos mercados americano e global provocou críticas do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Ele afirmou que a medida pode aumentar os recursos disponíveis para Moscou enquanto representantes dos dois países discutem formas de encerrar a guerra iniciada pela Rússia em fevereiro de 2022.
Donald Trump anunciou que havia conversado com o presidente russo, Vladimir Putin, e que o fornecimento começaria imediatamente. O plano prevê mais de 300 mil toneladas de diesel de início, outras 500 mil toneladas em novembro e mais 1 milhão de toneladas depois. Trump também citou a possibilidade de outras 3 milhões de toneladas, condicionadas às condições das refinarias russas.
Em uma publicação na Truth Social, o presidente americano disse que o acordo ajudaria a reduzir os preços dos combustíveis nos Estados Unidos e no mercado internacional.
Crítica durante negociações
Zelensky questionou a decisão especialmente por causa do momento em que foi anunciada. Uma delegação ucraniana estava na Flórida para conversar com representantes americanos sobre alternativas para terminar o conflito, enquanto Trump tratava do fornecimento com Putin.
“Isso claramente não demonstra boa-fé como parceiro. E isso, na minha opinião, é uma decisão fraca”, declarou Zelensky. Ele também disse que a abertura do mercado para o combustível russo cria uma fonte adicional de financiamento para o governo de Moscou.
“Isso só alimenta Putin e lhe dá poder para continuar lutando ainda mais”, afirmou o presidente ucraniano, ao relacionar as receitas das exportações à continuidade das operações militares russas.
Reuniões na Flórida
As conversas ocorreram em Miami entre enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, e a equipe ucraniana. Diplomatas de alto escalão da Alemanha, França, Reino Unido, União Europeia e Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) também acompanharam os encontros.
As reuniões trataram de propostas americanas para encerrar a guerra. Entre as alternativas mencionadas por Zelensky está um cessar-fogo energético, com a suspensão de ataques contra infraestruturas de energia como possível etapa inicial para reduzir as hostilidades.








