Donald Trump anunciou um acordo para que a Rússia forneça diesel aos Estados Unidos e ao mercado global, mas passou a ser cobrado por republicanos e outros parlamentares. O presidente americano afirmou que o acordo prevê mais de 300 mil toneladas imediatamente, outras 500 mil toneladas em novembro e 1 milhão de toneladas depois. Uma avaliação sobre as refinarias russas ainda poderá levar à entrega de outras 3 milhões de toneladas.
Trump disse que a medida tem como prioridade reduzir os preços para americanos, especialmente agricultores, pecuaristas e caminhoneiros. O anúncio ocorreu na sexta-feira (9), após uma conversa com o presidente russo, Vladimir Putin.
A decisão foi criticada por contrariar medidas adotadas pelo próprio governo americano. No ano passado, Trump impôs uma tarifa de 25% à Índia por comprar petróleo russo. Com a cobrança que já incidia sobre as exportações indianas, a sobretaxa chegou a 50%. A punição foi retirada depois que a Índia reduziu as compras.
No mês passado, Trump também sancionou uma lei aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos que prevê taxas de até 100% contra países que comprarem petróleo, gás e derivados da Rússia. Um grupo de sete senadores, incluindo Susan Collins, Lisa Murkowski, Thom Tillis e John Curtis, declarou que as importações anunciadas são ilegais.
“O Congresso proibiu explicitamente as importações de energia russa em 2022 para impedir que dólares americanos financiassem a guerra brutal de Putin contra a Ucrânia”, afirmaram os parlamentares. Eles também disseram que os Estados Unidos não deveriam oferecer apoio financeiro a Putin enquanto a Rússia continua atacando civis ucranianos.
O ex-vice-presidente Mike Pence afirmou que o acordo representa uma traição ao legado do senador Lindsey Graham, defensor de sanções contra compradores de combustíveis russos. Para Pence, a decisão suspende sanções ao setor de energia da Rússia e ajuda a financiar a guerra.
Trump justificou o acordo dizendo que ataques ucranianos contra refinarias russas elevaram os preços do diesel. A medida, porém, foi interpretada por críticos como uma forma de financiar o esforço de guerra russo.
Trégua e disputa com Zelensky
As repercussões também ampliaram a tensão entre Trump e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. No fim de semana, Trump anunciou uma trégua nos ataques contra infraestruturas de energia. Nesta terça-feira (13), Zelensky afirmou que a Ucrânia respeitou o acordo, mas que a Rússia continuou atacando instalações de energia e infraestrutura crítica.
“Durante esse período, os russos atacaram tanto nossas instalações de energia quanto nossa infraestrutura crítica”, escreveu Zelensky. Depois de o ucraniano criticar o acordo sobre o diesel, Trump declarou que “está na hora de a Ucrânia ter um novo presidente”.
O professor Sandro Teixeira Moita, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, disse que a decisão mostra a prioridade dada por Trump à sua base de poder e às eleições de meio de mandato. Para ele, o acordo não garante queda nos preços, que dependem do mercado internacional e da capacidade russa de entregar os volumes anunciados.
Moita também afirmou que a Europa já gastou mais de 200 bilhões de euros com energia russa desde o início da guerra, mesmo sob sanções e programas para reduzir essas compras.








