O Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, continua interditado após uma nova onda de ataques com mísseis e drones atribuída aos houthis do Iêmen. O governo saudita confirmou a situação nesta segunda-feira (12), que também levou à restrição de parte do espaço aéreo e à interrupção de voos na capital.
A ofensiva ocorre durante o Congresso Mundial de Energia (WPC), evento usado pelo governo para apresentar os planos de atração de capital estrangeiro. Os ataques aumentaram a preocupação com a segurança da infraestrutura ligada à economia saudita, incluindo aeroportos e instalações de refino.
Conflito e resposta militar
Os episódios recentes representam a retomada direta da participação da monarquia saudita na guerra civil do Iêmen. A operação busca afastar os rebeldes das proximidades do Estreito de Bab el-Mandeb, rota de transporte de petróleo bruto e acesso marítimo às exportações sauditas.
Forças locais apoiadas por Riad obtiveram avanços limitados na região, mas permanecem em desvantagem em outras frentes. A aviação saudita ampliou os ataques contra posições rebeldes, inclusive na província de al-Jawf. Os houthis continuam ameaçando aeroportos e redes de refino.
Na abertura do WPC, o ministro de Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, afirmou: “A palavra 'medo' no dicionário saudita... simplesmente não existe.” Em outra declaração, o ministro disse que os acontecimentos das últimas semanas eram graves e que a resposta do governo deveria ter a mesma gravidade.
Tentativa de mediação e impacto econômico
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou nesta segunda-feira (12) que Teerã está disposto a ajudar nas negociações entre o governo saudita e a milícia iemenita. O chanceler iraniano Abbas Araghchi telefonou ao ministro saudita Faisal bin Farhan na noite de domingo (11) para propor a intermediação.
Executivos-chefes da ExxonMobil e da BP cancelaram compromissos no evento em Riad. Dados reunidos sobre os ataques ao aeroporto indicam 13 mortos e 309 feridos no mesmo dia.
A instabilidade também afeta as projeções econômicas. O Ministério das Finanças da Arábia Saudita e a consultoria Capital Economics estimam queda real de 3,6% do PIB em 2026, na comparação anual com 2025. Gastos militares adicionais podem ampliar o déficit de um orçamento anual de US$ 350 bilhões.
Para Kristian Coates Ulrichsen, especialista em Golfo Pérsico do Baker Institute da Rice University, uma resposta militar pode aprofundar um conflito assimétrico, no qual os houthis já demonstraram capacidade de causar danos simbólicos e significativos.








