O bispo Matthieu Rougé, da Diocese de Nanterre, na França, condenou a violência registrada em protestos estudantis e pediu diálogo pacífico para tratar das preocupações dos jovens. As manifestações começaram no final de setembro, motivadas por queixas sobre a qualidade da educação, a falta de financiamento e a escassez de recursos nas escolas.
No início de outubro, parte dos atos teve incêndios criminosos, saques e confrontos com a polícia. Os episódios provocaram milhões de dólares em danos, deixaram centenas de feridos e levaram à prisão de mais de 5.000 pessoas.
Rougé, que lidera o Conselho para a Educação Católica da conferência episcopal francesa, afirmou em uma entrevista de 3 de outubro que a violência reflete “a angústia vivida por esta geração de jovens”. Para ele, incendiar escolas, inclusive algumas recém-construídas, representa uma forma de violência destrutiva que não pode ser tolerada.
O bispo relacionou o sofrimento dos estudantes a crises familiares, climáticas, econômicas, sociais e geopolíticas. Segundo Rougé, muitos jovens temem o futuro e não conseguem enxergar nele oportunidades. A falta de maturidade para expressar sentimentos e preocupações também pode fazer com que essa angústia apareça por meio da violência.
Rougé disse que os protestos devem levar a uma atenção maior aos jovens, inclusive nas escolas católicas. Ele defendeu que adultos responsáveis criem espaços de escuta e discussão para ajudar a recuperar a calma e acompanhar os estudantes. Também afirmou que a Igreja pede paz e formas diferentes de expressão, enquanto o sistema público de educação deve permitir que os jovens construam o próprio futuro por meio de uma formação ampla.
O bispo citou ainda uma mensagem do Papa Leão XIV aos jovens na França, com um chamado à responsabilidade na construção da paz e à liberdade associada a Cristo. Rougé afirmou que o papa também ofereceu um sentido de propósito a jovens de grupos sociais que não receberam reconhecimento suficiente.
O padre Christophe Danset, delegado nacional para a pastoral juvenil da conferência episcopal, declarou em 2 de outubro que a violência dos protestos contrasta com as reuniões que marcaram a visita do papa ao país no final do mês passado. Para ele, os dois episódios revelam, de um lado, a sede dos jovens e, de outro, uma crise humana e espiritual.








