CASCAVEL — A Coopavel e a Cocamar passaram a fabricar bioinsumos, aproveitando a rede de lojas, agrônomos e produtores associados para distribuir os produtos. O mercado brasileiro de bactérias e fungos usados na nutrição das plantas e no controle de pragas e doenças movimentou cerca de R$ 7 bilhões em 2025 e pode se aproximar de R$ 10 bilhões até 2030, segundo a Anpii-Bio.
A Coopavel inaugurou no ano passado, em Cascavel, a Biocoop, primeira indústria de produtos biológicos implantada por uma cooperativa no País. A unidade tem 12 biorreatores e capacidade anual de um milhão de litros. Parte da produção é vendida a outras cooperativas da região, que comercializam os produtos com marcas próprias.
A cooperativa tem mais de 8,2 mil associados e atua em 21 municípios do Oeste e do Sudoeste do Paraná. O presidente Dilvo Grolli avalia que os produtos biológicos devem ganhar espaço em relação aos químicos e vê a fabricação como uma oportunidade de industrialização.
Com sede em Maringá, a Cocamar incorporou os biológicos à linha que já incluía fertilizantes foliares e sólidos. A produção da Viridian Bio ocorre em Paranavaí. A cooperativa tem 21,2 mil associados, atua em cinco estados e informou que os produtos já chegaram a todas as regiões onde está presente.
Para Marco Antonio Nogueira, pesquisador da Embrapa Soja, a rede de relacionamento das cooperativas facilita a adoção e o uso correto dos produtos. Ele participou das pesquisas que deram origem ao primeiro inoculante da Coopavel, feito com bactérias que auxiliam a nutrição e o desenvolvimento das plantas.
Na região de Cascavel, cerca de 90% dos produtores acompanhados pelo agrônomo Leonardo Moro já utilizam algum biológico. A escolha considera o histórico da área, o solo, as pragas, as doenças e o sistema de produção. Dose, aplicação, condições ambientais e misturas também precisam ser monitoradas.
A Lei de Bioinsumos, sancionada em dezembro de 2024, estabelece regras para produção, registro e fiscalização. O texto exige o registro das biofábricas e dos produtos destinados à comercialização.
O uso não reduz necessariamente os gastos. Na soja, bactérias fixadoras de nitrogênio podem dispensar a adubação nitrogenada. No milho, segundo a Coopavel, o Azospirillum pode reduzir em até 25% a adubação nitrogenada de cobertura, conforme as condições de manejo. Em outros casos, os biológicos são usados junto com produtos químicos, com foco no resultado do sistema e não apenas no preço por hectare.








