PARIS — O governo da França acusou setores da extrema esquerda de tentar influenciar os protestos estudantis que se espalharam pelo país. As manifestações provocaram confrontos com a polícia, incêndios e danos em escolas. Mais de 700 instituições de ensino tiveram algum tipo de interrupção nesta sexta-feira (2).
Na região de Paris, 55 escolas registraram episódios de violência, confrontos ou danos. Três prédios escolares foram incendiados. O movimento começou há cerca de dez dias, com reclamações sobre salas superlotadas, falta de professores, prédios deteriorados e outras condições das escolas.
Em Estrasburgo, a polícia usou gás lacrimogêneo para conter os manifestantes. Em Marselha, fogos de artifício foram lançados contra policiais. Em Rennes, participantes dos atos incendiaram lixeiras.
O ministro da Educação, Édouard Geffray, afirmou que a mobilização mudou de natureza após a entrada de grupos violentos e disse que ela foi “tomada como refém”. Segundo informações apresentadas em uma reunião de crise do governo, serviços de inteligência atribuíram a políticos do França Insubmissa, partido liderado por Jean-Luc Mélenchon, participação no início dos protestos.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que o movimento estaria sendo manipulado pelo França Insubmissa e por grupos ligados à ultraesquerda. Uma nota da Diretoria de Inteligência da Prefeitura de Polícia de Paris apontou a presença de grupos de extrema esquerda desde o início da mobilização em Seine-Saint-Denis. O documento também indicou que esses grupos podem ter tentado se aproveitar de um movimento estudantil iniciado de forma “dispersa e espontânea”.
Dirigentes do França Insubmissa rejeitaram as acusações e disseram que o governo tenta politizar os atos. Organizações de direitos humanos e representantes de professores acusaram as forças de segurança de usar força excessiva. Investigações foram abertas sobre alguns episódios.
Greve de servidores
Os protestos nas escolas coincidiram com uma greve nacional de funcionários públicos realizada na terça-feira (29) contra medidas previstas para 2027, incluindo um novo congelamento do índice usado para calcular os salários. Professores, profissionais da saúde, bombeiros e outros servidores participaram.
Foram organizadas cerca de 170 manifestações. O Ministério do Interior calculou 206 mil participantes, incluindo 30 mil em Paris. A CGT estimou mais de 300 mil pessoas no país.
As mobilizações se misturaram em alguns atos. Estudantes participaram das manifestações dos servidores, enquanto sindicatos de professores apoiaram reivindicações sobre as condições das escolas. A proposta de orçamento para 2027 prevê aumento de 1,7% nos recursos da educação, abaixo da inflação projetada.
Nesta sexta-feira, Geffray recebeu sindicatos, representantes de pais e organizações estudantis. O ministro prometeu medidas para acelerar a substituição de professores ausentes e discutir as condições dos prédios escolares. Segundo ele, 65 funcionários da educação, incluindo 40 diretores, ficaram feridos desde o início dos protestos.







