MÉXICO — A Conferência Episcopal Mexicana afirmou que o país avançou no reconhecimento de direitos, na participação das mulheres e no fortalecimento das instituições, mas continua marcado por violência, desaparecimentos, impunidade, desigualdade e deslocamento forçado de comunidades.
A declaração foi divulgada em 14 de setembro, às vésperas das celebrações do 216º aniversário da Guerra de Independência do México. Para os bispos, a data não deve servir para ignorar os problemas do país. “Celebrar a independência não significa fechar os olhos”, afirmou a entidade.
Independência e liberdade
As comemorações começam na noite de 15 de setembro, com a reencenação do “Grito de Dolores”. Em 16 de setembro de 1810, o padre Miguel Hidalgo tocou os sinos da igreja na cidade de Dolores e convocou a população a lutar contra o governo colonial espanhol.
A independência foi concluída em 27 de setembro de 1821, quando Agustín de Iturbide entrou na Cidade do México à frente do Exército das Três Garantias. O nome fazia referência ao Plano de Iguala, que defendia a fé católica como religião nacional, a independência da Espanha e a igualdade social e legal entre os cidadãos, sem distinção de origem étnica.
A Conferência Episcopal Mexicana pediu aos líderes que transformem liberdade, segurança e justiça em garantias. Também defendeu que as vítimas sejam ouvidas e convocou os cidadãos a participar politicamente, cumprir suas responsabilidades e cuidar das pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
Os bispos mencionaram as eleições de junho de 2027, quando serão escolhidos todos os integrantes da câmara federal de deputados e autoridades locais nos 31 estados do México. A entidade pediu um debate público digno e afirmou que a liberdade de expressão depende da presença de diferentes pontos de vista nos meios de comunicação, da segurança dos jornalistas e do respeito a quem pensa de forma diferente.
Religião e atuação social
A mensagem também defendeu a liberdade religiosa como um direito que inclui culto, educação conforme as próprias convicções, associação, serviço e participação pública no bem comum. A CEM citou a lembrança centenária do Conflito Religioso, ou Guerra Cristera, e afirmou que a restrição da liberdade de consciência afeta toda a nação.
Os bispos destacaram o papel histórico da Igreja no México, com atuação em escolas, hospitais, abrigos e iniciativas de apoio a comunidades. Entre as ações mencionadas estão a Caritas, centros para migrantes, refeitórios comunitários, clínicas, abrigos para mulheres e crianças, centros de defesa dos direitos humanos e apoio a vítimas e familiares.
A declaração também ressaltou a importância de Nossa Senhora de Guadalupe na identidade mexicana. Segundo os bispos, a imagem se tornou um símbolo de unidade entre indígenas, pessoas de ascendência europeia nascidas no México e mestiços. O próximo quinto centenário das aparições será celebrado em 2031.







