A China começou a cobrar, nesta quinta-feira (1º/10), uma taxa adicional de 55% sobre a carne brasileira que ultrapassar a cota de importação definida para o país. Como já havia uma tarifa de 12%, a carga total sobre o produto chega a 67%.
O Ministério de Comércio da China informou que o Brasil atingiu o limite de 1,1 milhão de toneladas em 29 de setembro. A nova cobrança entrou em vigor à meia-noite e afeta os exportadores brasileiros de carne bovina destinada ao mercado chinês.
A cota foi estabelecida pela China para limitar a entrada de carne bovina de outros países e estimular o mercado interno, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros. Para o Brasil, o limite foi fixado em 1,1 milhão de toneladas para 2025. Argentina e Uruguai, por exemplo, receberam cotas inferiores à metade do volume destinado aos brasileiros.
Negociações por novas cotas
O governo brasileiro tenta reduzir os efeitos da medida. Nas últimas semanas, após uma conversa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Yamandu Orsi, o Uruguai concordou em ceder ao Brasil parte de sua cota não utilizada. A proposta foi apresentada à China, mas ainda não recebeu autorização para uso brasileiro.
Também há negociações para a aquisição de parcelas não utilizadas por outros países. A intenção é permitir que esses volumes remanescentes sejam usados pelo Brasil para manter as exportações de carne ao mercado chinês.
Antes de a cota ser alcançada, produtores brasileiros já haviam adotado férias coletivas e layoffs para manter as operações.
Restrição na União Europeia
O setor também enfrenta a suspensão, pela União Europeia, da importação de produtos de origem animal do Brasil, incluindo carne bovina. O bloco afirmou que o país não apresentou garantias suficientes sobre o cumprimento das regras europeias para o uso de determinados antimicrobianos proibidos.
A suspensão foi anunciada em maio e passou a valer em 3 de setembro. A medida impede a exportação brasileira de carne bovina, frango, carne equina, pescado, mel e tripas para países do bloco.
Uma missão sanitária europeia esteve no Brasil em setembro para avaliar a produção de aves e mel e concluiu os trabalhos com avaliação positiva. Em reunião nos Estados Unidos, nessa quarta-feira (30/9), autoridades brasileiras e europeias discutiram o tema e reforçaram a expectativa de retomada em breve das exportações de mel e frango.
A situação da carne bovina ainda não foi definida. A comprovação sanitária nessa cadeia envolve o acompanhamento do ciclo de vida do animal, do nascimento ao abate, processo que pode levar até dois anos.








