SÃO FRANCISCO — A autópsia de Dante Paul Lacourte, de 16 anos, identificou ciclorfina, um opioide sintético considerado mais potente e letal que o fentanil. O adolescente morreu em 7 de abril deste ano, no apartamento da mãe, Christina Lacourte, no bairro de Lower Nob Hill.
O laudo do legista não encontrou fentanil. A ciclorfina foi detectada pela primeira vez na cidade, e o caso de Dante continua sendo o único registro da substância no relatório do serviço funerário local.
Antes da morte do filho, Christina relatou que tentou reanimá-lo com duas doses de Narcan, medicamento usado para reverter overdoses causadas por opioides. A tentativa não funcionou. Inicialmente, ela acreditava que o adolescente havia sofrido uma overdose de fentanil.
Especialistas afirmam que a ciclorfina pode ser cerca de 10 vezes mais potente que o fentanil. Por esse motivo, uma overdose pode exigir várias doses de Narcan para ser revertida.
Alerta em São Francisco
Dezessete dias após a morte do adolescente, autoridades de saúde de São Francisco fizeram uma coletiva para alertar a população sobre a chegada do novo opioide. Os testes rápidos usados nos Estados Unidos identificam fentanil, mas não detectam ciclorfina.
A limitação aumenta o risco de que comprimidos com a substância sejam vendidos ou consumidos sem que os usuários saibam da presença do opioide. As autoridades também demonstraram preocupação com a possibilidade de a ciclorfina estar em comprimidos vendidos ilegalmente como outros medicamentos.
São Francisco registra mais de 4 mil mortes por overdose desde 2020, a maioria associada ao fentanil.
Segundo Leo Wingate, amigo de Dante, o adolescente começou a usar drogas para lidar com pressões da escola e dificuldades sociais. A família disse que ele convivia com TDAH, ansiedade e depressão e iniciou o uso de drogas ainda na adolescência.








