ASSIS, ITÁLIA — Cerca de 55 bispos capuchinhos se reuniram entre 9 e 13 de setembro de 2026 para discutir como manter a identidade franciscana enquanto governam dioceses. A assembleia promoveu oração, estudo e reflexão sobre a gestão do clero e dos fiéis leigos, com o Jubileu de São Francisco como cenário.
O principal desafio é conciliar os votos franciscanos — ligados à pobreza, à minoridade e à vida fraterna — com as responsabilidades hierárquicas e administrativas de um bispo diocesano. Esses prelados também lidam com padres do clero secular e com a estrutura institucional da Igreja.
Proximidade com o povo
Durante o encontro, a ideia de vicinanza foi apresentada como uma proximidade teológica e pastoral com a população. O conceito busca aproximar a vida consagrada do ministério episcopal e evitar que a função se reduza à administração.
Inspirados por São Francisco, os bispos defendem o contato concreto com as pessoas, especialmente as mais simples e feridas. A avaliação compartilhada no encontro é que, sem essa conexão, o episcopado pode se afastar do carisma original da ordem e ficar concentrado em burocracias.
A Reforma Capuchinha, próxima de completar 500º aniversário, também foi tema das discussões. O movimento surgiu com o objetivo de retomar as fontes originais de São Francisco de Assis. Entre as práticas destacadas estão a oração contemplativa e a pregação simples.
O arcebispo Jude Ruwa'ichi afirmou que viver o carisma exige ouvir o Espírito Santo para não permanecer preso a abordagens antigas. A proposta é oferecer esses dons espirituais renovados para a revitalização de toda a Igreja.
Dados do Vaticano indicam que há 5.525 bispos católicos no mundo. Cerca de 78,4% pertencem ao clero secular, enquanto 21,6% são membros de institutos de vida consagrada, como capuchinhos, jesuítas e dominicanos. A ordem capuchinha tem mais de 74 bispos. A troca de experiências entre eles também busca fortalecer a atuação em territórios de missão isolados e a percepção de que esses prelados não trabalham sozinhos.






