NOVA YORK — Mais de 100 profissionais do mercado financeiro e clérigos participaram, nos dias 16 e 17 de setembro de 2026, da segunda Cúpula de Investidores da Fé Católica. O encontro discutiu formas de aplicar grandes fortunas com rentabilidade e em conformidade com princípios da doutrina social da Igreja.
O modelo apresentado durante a cúpula combina três frentes: exclusão, engajamento e impacto. A primeira evita empresas associadas a práticas consideradas contrárias à dignidade humana, como aborto, pornografia e jogos de azar. Na segunda, o investidor utiliza sua posição como acionista para votar e pressionar diretorias por condutas éticas.
A terceira direciona recursos para resultados sociais concretos. Entre os exemplos está a inclusão bancária de pessoas pobres, em vez da adoção apenas de critérios gerais de sustentabilidade usados pelo mercado.
Rentabilidade e orientação do Vaticano
Especialistas e veteranos de Wall Street afirmaram que seguir valores religiosos não exige abrir mão dos ganhos financeiros. Durante o evento, os participantes destacaram que produtos católicos podem acompanhar os índices de rentabilidade do mercado comum.
O desafio apontado é cobrar de consultores financeiros provas de que alternativas éticas não apresentam rendimento inferior. A proposta defendida é usar o capitalismo para acumular recursos e produzir benefícios sociais, mantendo a responsabilidade de administrar o dinheiro com eficiência.
Um dos documentos citados foi o Mensuram Bonam, expressão que significa “Uma Boa Medida”. Publicado em 2022 pela Academia Pontifícia de Ciências Sociais do Vaticano, o guia oferece orientações baseadas na doutrina social católica para instituições financeiras.
O documento não é uma lei obrigatória da Igreja. Seu objetivo é orientar decisões de investimento e evitar aplicações que desconsiderem a dignidade humana, além de complementar modelos tradicionais de consultoria que não incorporam princípios cristãos específicos.
Tecnologia nas finanças
Os participantes também discutiram a automação e a inteligência artificial. A avaliação apresentada foi que cristãos devem participar da formulação de regras éticas para essas tecnologias, que avançam rapidamente no setor financeiro.
O blockchain foi citado como ferramenta para tornar transações mais transparentes e rápidas. Também pode contribuir para ampliar o acesso de pessoas excluídas dos bancos tradicionais, associando inovação tecnológica a impacto social.







