O aquecimento global já pesa sobre despesas, salários e produção em diferentes países. Um estudo de 2026 da MIT Sloan School of Management e da UCLA School of Law calculou que as famílias norte-americanas gastam, em média, US$ 900 (cerca de R$ 4.600) a mais por ano por causa das mudanças climáticas. Em 1 de cada 10 condados dos Estados Unidos, o custo supera US$ 1.300.
Entre os gastos estão seguros residenciais, que ficaram em média US$ 600 mais caros, além de impostos estaduais e federais relacionados à recuperação de desastres e aos efeitos da fumaça de incêndios florestais sobre a saúde. Os pesquisadores classificaram a falta de ação climática como “um imposto sobre todas as famílias norte-americanas”.
Perdas de renda e produção
Derek Lemoine, professor de economia da Universidade do Arizona, estimou que a renda dos norte-americanos pode ser 12% menor à medida que as temperaturas globais aumentam, em comparação com um cenário sem mudanças climáticas. Para ele, os efeitos não ficam restritos ao local atingido: uma quebra na produção de milho, por exemplo, encarece a commodity e afeta produtores de gado, fabricantes de alimentos e outros setores dependentes da cadeia de suprimentos.
Um relatório de 2024 do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impactos Climáticos estimou que danos à agricultura, à infraestrutura e à saúde, somados às perdas de produtividade, podem custar US$ 38 trilhões por ano à economia mundial até 2050.
Na Alemanha, a baixa histórica do rio Reno pode reduzir em até 0,2% a produção econômica do país no 3º trimestre de 2026, segundo o Instituto Kiel para a Economia Mundial. Em alguns trechos, a capacidade de transporte caiu para apenas 15%. O rio liga Roterdã, na Holanda, a grande parte do oeste alemão.
Efeitos acumulados na Austrália
Um estudo do Instituto para Risco e Resposta Climática da Universidade de New South Wales apontou que o aquecimento global reduziu, em média, 18% da produção econômica do estado de NSW. O impacto corresponde a 21.288 dólares australianos (cerca de R$ 80.000) por pessoa em 2024.
O pesquisador Timothy Neal afirmou que, sem o aquecimento global, haveria “preços mais baixos para os alimentos” e menos pobreza. O relatório também relaciona secas ocorridas em partes de NSW em meados e no fim da década de 2010 a perdas de até 10 bilhões de dólares australianos, provocadas por menor colheita e renda agrícola, maior custo da água e dependência de assistência governamental.
Os impactos se acumularam nos preços de alimentos, seguros e manutenção de infraestrutura. O relatório afirma que esses efeitos ampliam desigualdades entre regiões e agravam problemas econômicos já existentes.
Adaptação e custos futuros
Frank Jotzo, economista e comissário da Comissão Net Zero de NSW, defende investimentos em estradas, ferrovias e infraestrutura de transporte marítimo para adaptar as cidades e as economias a um planeta mais quente. Entre as medidas citadas estão a ampliação de áreas verdes urbanas e o reforço dos sistemas de saúde e da rede hospitalar.
As ondas de calor europeias de 2026 já custaram cerca de 180 bilhões de euros (R$ 1,06 trilhão), valor equivalente ao crescimento econômico projetado para a União Europeia no ano. O estresse térmico também reduz a produtividade, porque trabalhadores se cansam mais rapidamente ou têm dificuldade para dormir.
Lemoine avalia que a adaptação ao declínio econômico pode ser cara e pouco eficaz se não alcançar todos os lugares. A adaptação e a redução das emissões são apontadas como necessárias para conter perdas de renda que tendem a aumentar caso o aquecimento global ultrapasse as metas do Acordo de Paris.








