O arcebispo caldeu de Erbil, Bashar Warda, defende que a permanência das comunidades cristãs no Iraque depende da criação de empregos sustentáveis para os jovens. Para ele, a segurança física continua necessária, mas não é suficiente para evitar o êxodo de uma população histórica.
A redução do número de fiéis nas últimas décadas deixou as comunidades remanescentes mais vulneráveis. Sem trabalho significativo e renda estável, os jovens tendem a deixar sua terra natal. A liderança religiosa considera que garantir o sustento das famílias é uma das principais formas de preservar a presença cristã e evitar o esvaziamento das cidades onde essas comunidades vivem.
Obstáculos econômicos
A economia iraquiana depende fortemente do petróleo, responsável por cerca de 90% das exportações. Essa concentração expõe o país às oscilações dos preços no mercado internacional. Ao mesmo tempo, o setor público está saturado e já não consegue absorver a força de trabalho jovem, enquanto o setor privado permanece frágil.
A taxa de desemprego é de 15,5%, e quase um terço da população tem entre 15 e 29 anos. Nesse cenário, recém-formados cristãos enfrentam dificuldades para encontrar oportunidades fora da dependência do governo.
Warda afirma que o diploma universitário deixou de ser suficiente. A estratégia defendida pela Igreja prioriza cursos técnicos e formação profissional voltados às habilidades exigidas pelo mercado. A intenção é aproximar a educação do primeiro emprego estável e preparar os jovens para atuar no setor privado. Entre os exemplos citados estão estudantes que trabalham à noite para pagar os estudos.
Assistência e autonomia
A proposta também é substituir a ajuda humanitária imediata por iniciativas de empoderamento econômico, com foco na justiça, na dignidade humana e na independência financeira. A Arquidiocese de Erbil é apresentada como exemplo: suas redes de saúde, mídia e educação empregam cerca de 950 pessoas, sem discriminação.
A ideia é que a Igreja e instituições parceiras contribuam para criar condições para que as famílias se sustentem sozinhas. Nesse modelo, a assistência passa a ser tratada como investimento em pessoas e projetos privados.







