O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou nesta quinta-feira (8) Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, de conspiração para cometer tortura. A promotoria afirma que os dois participaram de uma estratégia de repressão para permanecer no poder na Venezuela.
A denúncia cita torturas ordenadas contra opositores, militares e outras pessoas detidas, entre elas três cidadãos americanos. O procurador federal Jamie McDonald disse que Maduro, Flores e integrantes de seu círculo mais próximo usaram um sistema de tortura e repressão durante 25 anos para sufocar a dissidência política.
Um dos casos descritos envolve a chamada “vítima 7”, que afirmou ter sido torturada após ser “falsamente acusado de participar de uma conspiração para assassinar Maduro”. Os episódios citados começaram em 2022 e seguiram até janeiro deste ano, quando forças dos Estados Unidos capturaram Maduro em uma operação em Caracas.
A nova acusação se soma a processos anteriores nos Estados Unidos. Em julho, o juiz federal Darrin P. Gayles determinou que Maduro, o empresário colombiano Alex Saab, outras cinco pessoas e o Cartel de los Soles pagassem US$ 314 milhões a mais de dez cidadãos americanos presos e torturados na Venezuela.
Também foram responsabilizados Diosdado Cabello, Vladimir Padrino, Maikel José Moreno Pérez, Néstor Luis Reverol e Tarek William Saab. Cabello é ministro do Interior, e Padrino, ministro da Agricultura, segundo a acusação.
No início de janeiro, uma operação militar americana em Caracas capturou Maduro e Flores para que respondessem na Justiça federal por acusações relacionadas a narcoterrorismo. O julgamento está marcado para 1º de junho de 2027.
O advogado Barry Pollack afirmou que Maduro “nega as acusações da nova denúncia e aguarda ansiosamente o dia do julgamento”. Flores compareceu a uma audiência nesta quinta-feira, na qual teve negado o pedido de prisão domiciliar por problemas de saúde.








