Alex Saab, empresário colombiano apontado por autoridades dos Estados Unidos como testa de ferro de Nicolás Maduro, declarou-se culpado nesta terça-feira (15) por conspiração para lavagem de dinheiro. Ele também fechou um acordo para colaborar com investigações federais em andamento no país.
Como parte do acordo, Saab aceitou entregar US$ 195 milhões, valor que as autoridades americanas consideram resultado do esquema de corrupção. A quantia equivale a cerca de R$ 1 bilhão, na cotação mais recente. Os documentos judiciais divulgados até agora não informam quais investigações poderão contar com a colaboração do empresário.
Saab admitiu ter participado de um esquema envolvendo contratos públicos para a importação de alimentos e medicamentos destinados à Venezuela. Empresas sob seu controle obtiveram contratos vinculados ao programa de alimentação CLAP e, conforme os investigadores americanos, desviaram recursos com empresas de fachada, documentos falsos e pagamentos de propina a funcionários públicos.
A investigação afirma que pelo menos US$ 195 milhões foram retirados de seis contratos controlados por Saab. Parte do dinheiro teria circulado pelo sistema financeiro dos Estados Unidos, e o esquema teria se ampliado para operações ligadas à estatal petrolífera venezuelana PDVSA. Documentos apresentados no processo dizem que autoridades de alto nível do regime venezuelano aprovaram, participaram ou protegeram o esquema. Algumas não foram identificadas pelos promotores.
Até julho, Saab mantinha a declaração de inocência. Nesta terça, mudou formalmente sua posição diante da juíza federal Kathleen Williams. O crime pode levar a até 20 anos de prisão, mas os promotores concordaram em recomendar uma pena na faixa inferior. Eles também poderão pedir novas reduções se considerarem relevante a colaboração do empresário.
Saab foi detido em Cabo Verde em 2020 e enviado aos Estados Unidos no ano seguinte, onde respondeu a outro processo por lavagem de dinheiro. Em dezembro de 2023, o então presidente democrata Joe Biden concedeu clemência ao empresário e o mandou de volta à Venezuela como parte de um acordo que levou à libertação de americanos presos pelo regime de Maduro.
Neste ano, Saab voltou aos Estados Unidos para responder a uma nova acusação, relacionada a fatos que não estavam incluídos na clemência concedida por Biden.








