Os Estados Unidos vão acelerar a produção do AIM-260 JATM, um míssil ar-ar de longo alcance desenvolvido para permitir que caças americanos ataquem aeronaves inimigas antes que elas respondam. A arma é considerada parte da estratégia americana diante do avanço militar chinês no Indo-Pacífico.
A Lockheed Martin anunciou na quinta-feira (17) um acordo com o Departamento de Guerra americano para aumentar rapidamente a produção e as entregas do míssil. O entendimento abre caminho para contratos de vários anos e permite investimentos na expansão das linhas de fabricação, incluindo a cadeia de fornecedores.
Alcance e origem do programa
O desenvolvimento do AIM-260 começou em 2018 e foi divulgado no ano seguinte. A Força Aérea americana havia informado que precisava de uma arma com alcance maior que o do AIM-120 AMRAAM, estimado em quase 180 km. O surgimento do PL-15, míssil chinês de longo alcance destinado a aeronaves como o caça furtivo J-20, foi apontado como uma das razões para o novo programa.
O alcance exato do AIM-260 permanece em sigilo. Estimativas especializadas indicam mais de 190 km, enquanto o PL-15 é estimado em cerca de 200 km. Autoridades americanas disseram em 2019 que o novo míssil teria alcance superior ao AMRAAM e capacidades voltadas para enfrentar ameaças desse tipo.
O AIM-260 foi projetado para ser instalado nos compartimentos internos de armas de caças furtivos, como o F-22 Raptor e o F-35 Lightning II. A configuração permite que essas aeronaves mantenham baixa assinatura de radar enquanto carregam o míssil.
A Lockheed Martin afirma que a arma terá alcance e eficácia superiores aos dos atuais mísseis ar-ar americanos e poderá ser usada pela Força Aérea e pela Marinha. A Air & Space Forces Magazine estimou alcance acima de cerca de 190 km, mas o número não foi confirmado oficialmente pelo Pentágono.
Pesquisadores do International Institute for Strategic Studies apontam a possibilidade de um motor de duplo pulso e de soluções para prolongar a energia durante o voo. A Air & Space Forces Magazine também considera provável um buscador multimodo, capaz de ajudar na localização de alvos sob interferência eletrônica. O Pentágono não confirmou publicamente essas configurações.
Compras e possível venda à Austrália
A previsão inicial era colocar o AIM-260 em operação por volta de 2022, mas problemas de desenvolvimento e integração com caças de quinta geração atrasaram o cronograma. Documentos orçamentários mostram que a Força Aérea comprou 104 mísseis no ano fiscal de 2024 e 40 em 2025, além de reservar recursos para mais de uma centena de unidades em 2026.
A Austrália também pretende adquirir a arma. Em janeiro, o governo americano notificou o Congresso sobre uma possível venda de até 450 AIM-260, além de mísseis para testes e integração, em um pacote estimado em US$ 3,16 bilhões.
O alcance dos mísseis ar-ar se tornou um elemento central da competição entre Washington e Pequim. Uma eventual guerra envolvendo Taiwan ou o Mar do Sul da China poderia colocar aeronaves dos dois países frente a frente a distâncias maiores que as observadas em conflitos anteriores.
A Força Aérea americana também estuda integrar o AIM-260 a aeronaves não tripuladas que operarão ao lado dos caças, ampliando o número de plataformas capazes de lançar a arma.








