MONTES CLAROS — A inclusão de uma caneta à base de semaglutida no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda depende de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), definição de protocolo médico e outras etapas administrativas. O governo não estabeleceu uma data para começar a oferta.
O medicamento é estudado em um projeto-piloto chamado Real-Bari, que acompanha 250 pacientes com obesidade grave atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS). A pesquisa tem previsão de durar dois anos e avalia o custo-efetividade e os impactos do tratamento na saúde.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o estudo deve indicar quais pacientes terão maior benefício e qual protocolo será adotado. A iniciativa acompanha medidas para ampliar o acesso aos medicamentos agonistas de GLP-1, cuja aprovação foi acelerada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a queda da patente da semaglutida.
Incorporação e critérios
A Novo Nordisk já apresentou o medicamento à Conitec, mas recebeu uma decisão desfavorável no ano passado. Na ocasião, a comissão estimou impacto orçamentário superior a R$ 8 bilhões. Em junho, a empresa reapresentou o pedido com desconto de 59% para o governo.
A proposta delimita o tratamento a pessoas com mais de 45 anos, obesidade, sem diagnóstico de diabetes e com histórico de infarto. Leonardo Bia, vice-presidente de Assuntos Corporativos e Acesso da Novo Nordisk, afirmou que essa é a terceira tentativa de incorporação e que a empresa aguarda a discussão do pedido.
Mesmo com eventual aprovação, ainda será necessário definir os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), que estabelecerão a forma de uso. Depois disso, o Ministério da Saúde terá prazo de 180 dias para efetivar a oferta.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a possibilidade de fornecimento durante visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG). A indicação seria para pessoas com obesidade grave, doenças associadas, problemas cardiovasculares ou recomendação para cirurgia bariátrica, sempre mediante prescrição médica.
A Eurofarma mantém parceria com a Novo Nordisk para produzir e comercializar o Poviztra, medicamento indicado para obesidade. O produto custa R$ 400 e R$ 1 100, conforme a dose e o programa de fidelidade da empresa.








