Estados Unidos e China aceleram a exploração de minerais críticos e terras raras em áreas profundas dos oceanos. A disputa busca garantir matérias-primas para indústrias estratégicas, reduzir a dependência externa e preparar a mineração comercial em larga escala.
Entre os alvos estão nódulos polimetálicos e crostas metálicas com níquel, cobalto, cobre, manganês e terras raras. Esses materiais são usados em baterias de veículos elétricos, equipamentos tecnológicos e sistemas de defesa. A zona Clarion-Clipperton, no Pacífico, é uma das áreas mais cobiçadas e pode concentrar bilhões de toneladas desses recursos.
Em alguns depósitos, a quantidade estimada no fundo do oceano supera as reservas conhecidas em terra firme. Esse potencial tem impulsionado investimentos e aumentado o interesse estratégico das duas potências.
Os Estados Unidos passaram a acelerar a estratégia após um decreto do presidente Donald Trump que permite recorrer a uma legislação própria da década de 80 para estimular a mineração submarina. Como o país não ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, o governo busca autorizar empresas americanas a operar sem aguardar a conclusão das normas internacionais.
Também estão em andamento o mapeamento de depósitos em territórios próprios, como a Samoa Americana, e acordos com Japão e Ilhas Cook. O objetivo é facilitar o processamento e o uso do material extraído no país.
A China mantém vantagem na cadeia mineral por dominar grande parte da mineração e, principalmente, do processamento mundial de terras raras. No ambiente marinho, o país possui o maior número de contratos de exploração ligados à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA). Sua capacidade industrial de transformar o minério bruto em insumo é apontada como o principal diferencial.
A operação ocorre em condições extremas, a cerca de 6 mil metros de profundidade. Os equipamentos precisam resistir à pressão e funcionar em locais remotos. O transporte de grandes volumes de lama e rochas até a superfície também representa um obstáculo econômico.
No campo jurídico, a China participa das negociações do Código de Mineração da ONU, enquanto os Estados Unidos tentam avançar de forma independente. A falta de consenso amplia as incertezas ambientais e dificulta a contratação de seguros por empresas do setor.







