Estados Unidos e China disputam áreas do fundo do Oceano Pacífico que podem concentrar níquel, cobalto, cobre, manganês e terras raras. A mineração comercial em grande escala ainda não começou, mas os dois países desenvolvem equipamentos e mapeiam regiões para retirar minerais em águas profundas.
Estratégias de Washington e Pequim
Nos Estados Unidos, o governo Donald Trump acelerou a política após assinar, em abril de 2025, um decreto para ampliar a exploração mineral submarina e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros. A NOAA passou a analisar pedidos de exploração e recuperação comercial, enquanto órgãos do governo estudam possíveis concessões no Pacífico.
Em 14 de setembro, o secretário do Interior, Doug Burgum, afirmou que as primeiras licenças americanas para mineração em águas profundas poderão ser emitidas “dentro de meses”. Os EUA também ampliaram a cooperação mineral com o Japão e as Ilhas Cook.
A China mantém cinco contratos de exploração vinculados à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA). Os acordos abrangem pesquisas sobre nódulos polimetálicos, sulfetos polimetálicos e crostas ricas em cobalto. Pequim também ocupa posição dominante no processamento de minerais críticos.
Recursos no fundo do oceano
Na zona Clarion-Clipperton, entre o Havaí e o México, o USGS estima cerca de 21,1 bilhões de toneladas de nódulos polimetálicos. As formações concentram principalmente manganês, níquel, cobre e cobalto. A região também tem crostas metálicas, depósitos próximos a fontes hidrotermais e áreas com terras raras.
A NOAA iniciou o mapeamento de mais de 30 mil milhas náuticas quadradas próximas à Samoa Americana. Em setembro, uma missão encontrou nódulos a cerca de 5,5 quilômetros de profundidade. A TMC USA, subsidiária da The Metals Company, pediu autorização para explorar e retirar nódulos da zona Clarion-Clipperton; o pedido ainda está em análise.
A China respondeu, em 2024, por 71% da mineração mundial de terras raras e 87% do processamento desses elementos, conforme levantamento do USGS. Tom LaTourrette, da RAND Corporation, afirmou: “De nada adianta toda a mineração do mundo se não tivermos capacidade de processamento”.
Regras e outros países
A ISA ainda não autorizou a extração comercial em áreas internacionais. Os contratos atuais permitem pesquisa e exploração, enquanto o Código de Mineração continua em negociação. Os EUA usam uma legislação de 1980 para autorizar empresas americanas no setor.
O Japão retirou lama rica em terras raras a aproximadamente 6 mil metros de profundidade perto de Minamitorishima. A Índia mantém três contratos com a ISA no Oceano Índico. As Ilhas Cook assinaram acordos de cooperação com China e Estados Unidos.
A exploração enfrenta dúvidas sobre custos, tecnologia, seguros e impactos ambientais. Equipamentos precisam operar a 4 mil, 5 mil ou 6 mil metros de profundidade, suportar alta pressão e transportar grandes volumes de material até a superfície.








