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GPS saiu dos aviões de guerra e passou a sustentar redes, mapas e conflitos

Tecnologia criada para orientar bombardeios hoje sincroniza redes, guia transportes e pode ser manipulada em zonas de conflito.

GPS saiu dos aviões de guerra e passou a sustentar redes, mapas e conflitos
Foto: Getty Images via BBC

O GPS deixou de ser uma ferramenta voltada à aviação militar e passou a integrar atividades como transporte, agricultura, bancos, redes elétricas e aplicativos de mapas. A mesma tecnologia também pode ser usada para confundir navios, impedir a aproximação de drones e alterar o funcionamento de sistemas em áreas de conflito.

Katherine Dunn, jornalista econômica e autora de Little Blue Dot: How GPS Shaped the Modern World, explica que o sistema determina a posição de um receptor a partir de sinais de quatro satélites. Os cálculos identificam longitude, latitude, altitude e tempo. Esse último dado precisa ser medido com precisão de bilionésimos de segundo.

Um relógio atômico no bolso

O GPS compara o tempo de viagem de um sinal de rádio entre o satélite e o receptor. Com isso, além de calcular a localização, transmite ao celular ou ao carro uma referência extremamente precisa de horário, baseada nos relógios atômicos instalados nos satélites.

Dunn resume a arquitetura como uma comunicação entre um computador no espaço, outro no receptor e um terceiro em uma estação terrestre. Embora a física envolvida seja complexa, o princípio permitiu que a tecnologia fosse incorporada a produtos e serviços de uso diário.

O sistema foi projetado para aviões e para bombardeios de precisão. A origem direta está na Guerra do Vietnã, quando a Força Aérea dos Estados Unidos teve dificuldades para atingir a Trilha Ho Chi Minh e pontes usadas no transporte de tropas e suprimentos. A aviação precisava determinar sua posição em três dimensões e quase em tempo real.

Da aplicação militar ao cotidiano

Os primeiros usuários fora das Forças Armadas foram agrimensores e pesquisadores universitários. No início, os receptores custavam cerca de US$ 100 mil, hoje equivalentes a R$ 514 mil. Só nos anos 1980 apareceu o primeiro carro equipado com GPS.

O uso se ampliou com aparelhos de navegação veicular, como TomTom e Garmin, e ganhou escala com o iPhone 3G, que incorporou GPS, e o Google Maps. A localização passou a acompanhar as pessoas, em vez de ficar restrita ao carro.

O pequeno ponto azul exibido nos mapas virou uma representação intuitiva da posição do usuário. A tecnologia também passou a indicar rotas e duração de deslocamentos, chamar táxis e apoiar compras on-line. Em escala maior, sustenta a logística de pessoas e mercadorias.

Sua função vai além da localização. O GPS ajuda a sincronizar torres de telefonia móvel, sistemas bancários, redes elétricas e semáforos. Também aparece na agricultura de precisão e em aplicações de alto risco ligadas a redes financeiras e mísseis.

Precisão e dependência

A tecnologia ajudou a revelar diferenças entre mapas e posições reais. A Estátua da Liberdade é um dos exemplos citados por Dunn, assim como pistas de pouso que estavam deslocadas em relação às coordenadas oficiais. Para ela, a precisão absoluta não existe: os sistemas precisam ser ajustados continuamente.

A dependência do GPS também levou à criação do Galileo, sistema europeu associado à autonomia estratégica. Hoje existem cinco constelações de navegação, mas o GPS continua dominante em várias indústrias por ser o mais antigo e estar presente em muitos receptores. Telefones costumam combinar sinais de diferentes constelações, enquanto a aviação tende a usar apenas o GPS.

Quando o sinal é manipulado

Em 2017, navios-tanque que chegavam a Novorossiysk, no litoral norte do Mar Negro, apareceram nos sistemas de navegação como se estivessem sobre a pista de um aeroporto próximo. O episódio chamou a atenção para interferências ligadas a áreas próximas de Vladimir Putin e de prédios do governo russo.

Dunn diferencia duas técnicas. A interferência abafa o sinal, impedindo que o receptor o compreenda. A falsificação, por sua vez, envia informações falsas e faz o aparelho calcular uma posição incorreta. No caso dos navios, as coordenadas de aeroportos teriam sido usadas porque muitos drones comerciais eram configurados para mudar de direção ou cair ao detectar essa proximidade.

O objetivo seria impedir que drones se aproximassem de determinadas áreas. Segundo Dunn, essa limitação foi superada na Ucrânia com o uso atual desses equipamentos.

Desligar o GPS seria possível e causaria forte impacto, mas a existência de sistemas alternativos reduziria os efeitos sobre os telefones. O risco considerado maior é a manipulação silenciosa do sinal, comparada por Dunn a um ataque cibernético analógico.

A especialista relaciona esse tipo de interferência à guerra dos drones, às linhas de frente na Ucrânia e ao Estreito de Ormuz. Navios podem traçar rotas sem sentido, e mísseis de alta precisão podem deixar de funcionar como esperado.

Para Dunn, a tecnologia pode servir à guerra, ao consumo e à ciência climática. O resultado depende do uso feito das mesmas descobertas que transformaram a localização em uma presença constante no cotidiano.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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