A disputa de narrativas se tornou um dos principais desafios de Israel na guerra contra o Hamas, afirmou Rafael Rozenszajn, major da reserva e primeiro porta-voz das Forças de Defesa de Israel (FDI) para países de língua portuguesa. Ele participa nesta quarta-feira (8), em Curitiba, de um evento sobre os três anos do ataque de 7 de outubro de 2023.
Rozenszajn disse que Israel recebeu ampla solidariedade internacional após o ataque, que matou cerca de 1.200 pessoas e levou 251 reféns para Gaza. Com o passar dos meses, porém, a atenção teria migrado para a resposta militar israelense e para as imagens do conflito.
Para o major, o direito de Israel à autodefesa passou a ser reconhecido em tese, mas negado na prática. Ele afirmou que a guerra em uma área urbana densa produz sofrimento real, mas sustentou que o Hamas construiu túneis, acumulou armas e instalou centros de comando e depósitos sob ou perto de residências, escolas, mesquitas e hospitais.
Informação e antissemitismo
Segundo Rozenszajn, o Hamas divulga acusações e números rapidamente, enquanto um exército estatal precisa verificar as informações antes de se pronunciar. Ele citou o caso do hospital Al-Ahli, em outubro de 2023. De acordo com sua avaliação, análises posteriores indicaram que a explosão foi causada por um foguete lançado por terroristas e que caiu em Gaza.
O porta-voz também afirmou que ataques e manifestações contra judeus aumentaram em vários países nos dias seguintes a 7 de outubro, antes da operação terrestre em Gaza. No Brasil, entidades da comunidade judaica teriam registrado mais denúncias. Ele ressaltou que críticas a decisões do governo israelense são legítimas, mas que responsabilizar judeus pela guerra constitui preconceito.
Sobre Gaza, Rozenszajn mencionou avisos de evacuação, corredores humanitários e pausas operacionais adotados pelas FDI. Também afirmou que, desde o início do cessar-fogo, em outubro de 2025, mais de 2 milhões de toneladas de alimentos entraram no território, cerca de 600 caminhões cruzam diariamente e o número de leitos hospitalares aumentou mais de 50%.
Ele ainda citou o atentado contra a AMIA, em Buenos Aires, em 1994, e uma operação da Polícia Federal brasileira, em 2023, contra suspeitos de recrutamento pelo Hezbollah. Para o major, o terrorismo jihadista representa uma ameaça às democracias ocidentais, e Hamas e Hezbollah não deveriam ser tratados apenas como atores políticos.









