Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta Flávio Bolsonaro no segundo turno marcado para 25 de outubro, depois de terminar a primeira votação com 45% dos votos, contra 47% do adversário. Para vencer, Lula terá de superar um padrão recente na América do Sul e outro mantido nas eleições presidenciais brasileiras desde a redemocratização.
Desde a eleição de Gabriel Boric no Chile, em 2021, nenhum candidato de esquerda sul-americano que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu vencer a etapa decisiva. O mesmo ocorreu recentemente no Equador, no Peru e na Colômbia. Nesses casos, os candidatos de esquerda foram derrotados por representantes da direita ou da centro-direita que haviam liderado a votação inicial.
No Brasil, o obstáculo histórico é semelhante. Desde a redemocratização, nenhum candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno foi eleito presidente. O padrão vale para nomes da direita e da esquerda: quem lidera a primeira etapa costuma manter ou ampliar a vantagem no segundo turno.
Mudança no equilíbrio regional
A divisão política da América do Sul também mudou desde o início de 2023. Naquele momento, havia oito governos de esquerda e quatro de direita. Hoje, são sete governos de direita — Argentina, Paraguai, Equador, Bolívia, Chile, Colômbia e Peru — e cinco de esquerda: Brasil, Venezuela, Guiana, Suriname e Uruguai.
A direita avançou em meio a insatisfações com a economia e a segurança e ao uso das redes sociais para dialogar com o público mais jovem. Especialistas também apontam a segurança pública, a imigração, a inflação, a eficiência do Estado e o custo de vida como temas centrais.
A influência externa aparece no plano de segurança Escudo das Américas, de Donald Trump, que também atrai governos de esquerda da região. A direita sul-americana transformou sua presença nas redes sociais em representação institucional, com grandes bancadas no Congresso Nacional, governadores e deputados.







