Luiz Inácio Lula da Silva disputará o segundo turno da eleição presidencial com Flávio Bolsonaro no próximo dia 25, após terminar o primeiro turno atrás do adversário. Lula teve cerca de 45% dos votos, enquanto Flávio alcançou 47% na votação realizada no domingo (4).
O presidente tenta interromper um padrão observado na América do Sul desde a vitória de Gabriel Boric no Chile, no final de 2021. Desde então, candidatos de esquerda que terminaram o primeiro turno em segundo lugar não conseguiram virar a disputa na etapa seguinte.
Boric havia obtido 26% dos votos na primeira votação, contra 28% do conservador José Antonio Kast, em novembro. No mês seguinte, recebeu 56% dos votos válidos e foi eleito.
Antes da eleição brasileira deste ano, três candidatos de esquerda chegaram ao segundo turno em desvantagem e foram derrotados: Luisa González, no Equador, em 2025; Roberto Sánchez, no Peru, em 2026; e Iván Cepeda, na Colômbia, também neste ano. Eles perderam para Daniel Noboa, Keiko Fujimori e Abelardo de la Espriella, respectivamente, todos líderes no primeiro turno.
Histórico brasileiro e avanço da direita
Lula também enfrenta um tabu interno. Desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar, seja de esquerda ou de direita, foi eleito presidente do Brasil.
O cenário político sul-americano também mudou desde o início de 2023, quando Lula assumiu seu terceiro mandato. Naquele momento, havia oito governos de esquerda e quatro de direita na região. Hoje, são sete governos de direita e cinco de esquerda.
Marcos José Zablonsky, especialista em opinião pública e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, afirmou que a nova onda de direita aproveita a insatisfação com os governos em exercício. Para ele, segurança pública, imigração, inflação, custo de vida, crescimento econômico e eficiência do Estado estão entre os temas comuns às eleições da região.
Zablonsky também disse que a direita sul-americana construiu uma comunicação digital eficiente, especialmente entre jovens e eleitores insatisfeitos com instituições e com a política tradicional. Na avaliação dele, as bancadas eleitas pela direita no Congresso Nacional transformaram força eleitoral e presença nas redes sociais em força institucional.
Sobre o segundo turno, o especialista afirmou que Donald Trump não deve declarar apoio aberto a Flávio antes do resultado do dia 25. Para Zablonsky, uma manifestação poderia gerar resistência entre eleitores por causa do tema da soberania presente no discurso de Lula.







