NOVA DÉLI — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará da cúpula dos Brics neste sábado (12/9) e domingo (13/9), na Índia. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul estarão representados no encontro, mas apenas o Brasil não enviará seu chefe de Estado.
A ausência foi justificada por interlocutores do Palácio do Planalto pelo calendário eleitoral, que se aproxima da reta final do 1º turno. A equipe de Lula precisou escolher entre a cúpula e a 81ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), prevista para a última quinzena de setembro.
Como o Brasil tradicionalmente abre os discursos de chefes de Estado na ONU, Lula optou por viajar a Nova York, nos Estados Unidos. O presidente deve discursar em 22 de setembro.
Representação brasileira
O Brasil será representado na Índia pelo chanceler Mauro Vieira e por uma comitiva de diplomatas do Palácio Itamaraty. O embaixador Maurício Lyrio, sherpa brasileiro nos Brics, também participa das negociações para a elaboração do comunicado conjunto do encontro. Ele chegou a Nova Déli no sábado (5/9).
A cúpula marcará o primeiro encontro presencial de Vladimir Putin com chefes de Estado de países dos Brics desde 2024, quando a reunião foi realizada em Kazan, na Rússia. O presidente russo não participou das cúpulas na África do Sul, em 2023, e no Brasil, em 2025, e acompanhou as reuniões por videoconferência. O chanceler Sergey Lavrov representou o Kremlin nos dois encontros.
Putin enfrenta restrições de viagem por causa de um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Ele é acusado de crimes de guerra relacionados à deportação ilegal de crianças ucranianas para a Rússia. Países que ratificaram o Estatuto de Roma, que estabeleceu a Corte em 2002, devem cumprir as ordens do tribunal.
Expansão e tensões
Formado em 2006 por Brasil, Rússia, Índia e China, o bloco recebeu a África do Sul em 2010. Em 2023, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã entraram como membros plenos. A Indonésia ingressou em 2025. No último ano, Nigéria, Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Tailândia, Uganda, Vietnã e Uzbequistão foram anunciados como países parceiros.
Atualmente, o Brics tem 11 países membros e 10 nações parceiras. A expansão aumentou as divergências internas. A relação entre Índia e China e a aproximação do primeiro-ministro indiano, Narenda Modi, com Benjamin Netanyahu estão entre os fatores que dificultam as discussões. Em maio deste ano, os chanceleres do Irã e dos Emirados Árabes trocaram críticas e acusações, e a reunião terminou sem consenso.
“A falta do presidente Lula é relevante, já que o Brasil é um país que possuí um longo histórico de ser mediador de conflitos”, afirmou o analista internacional Paulo Cesar Rebello.








