NOVA YORK — O presidente Lula desembarca neste domingo (20) em Nova York para participar da Assembleia-Geral da ONU, em uma viagem marcada pela tensão entre Brasil e Estados Unidos e pela proximidade das eleições brasileiras de 4 de outubro.
Lula fará na terça-feira (22) o discurso de abertura das falas de chefes de Estado. O evento reúne representantes dos 193 países-membros das Nações Unidas. Na sequência, falará o líder do país anfitrião, Donald Trump.
A ordem dos discursos pode permitir um encontro breve entre os dois presidentes, embora não esteja prevista uma reunião formal. Em setembro de 2025, eles conversaram por cerca de 40 segundos antes do discurso do americano.
Relação entre Brasil e Estados Unidos
O contato de 2025 foi seguido pela retomada do diálogo entre os governos após meses de atritos. As conversas envolveram o tarifaço aplicado a produtos brasileiros, sanções financeiras e restrições de vistos adotadas por Washington.
Agora, a relação bilateral volta a ficar sob pressão. Integrantes do governo brasileiro demonstraram preocupação com uma possível interferência externa no processo eleitoral e passaram a destacar a defesa da soberania nacional.
A expectativa é que Lula defenda na ONU a não intervenção nos assuntos internos dos países e sustente que decisões políticas, judiciais e eleitorais brasileiras devem ser tomadas sem pressão externa. A orientação é tratar do tema de forma ampla, sem citar nominalmente o governo americano.
O presidente também deve abordar o combate ao crime organizado, a emergência climática e a fome. A previsão inicial da equipe é que o discurso dure em torno de 20 minutos.
Na segunda-feira (21), Lula se reunirá com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. O encontro foi convocado pelo prefeito, e auxiliares do presidente negam que a agenda tenha o objetivo de enviar um sinal negativo a Trump.
Entre os pontos de atrito recentes entre Brasil e Estados Unidos estão disputas comerciais, divergências sobre o combate ao crime organizado e a classificação de facções brasileiras. Também houve a revogação do visto da embaixadora em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio à demora brasileira para conceder o agrément ao indicado para a embaixada americana em Brasília.
A viagem ocorre ainda após a desistência da chilena Michelle Bachelet da candidatura ao cargo de secretária-geral da ONU. Ela era apoiada pelo Brasil e deixou a disputa no sábado (19), depois de apresentar mau desempenho nas votações secretas do Conselho de Segurança. Na última votação, ao menos um dos cinco membros permanentes havia sinalizado veto à candidatura.








