O presidente da Argentina, Javier Milei, chamou Luiz Inácio Lula da Silva de “ladrão” e declarou apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência do Brasil. As declarações foram dadas em entrevista à revista francesa Le Point publicada nesta quinta-feira (1º).
Milei afirmou que as divergências políticas não impedem relações comerciais entre Brasil e Argentina. “Para mim, ele é um ladrão”, disse, ao comentar sua relação com Lula. O presidente argentino também mencionou a prisão do brasileiro durante a Operação Lava Jato e declarou que ele deixou a cadeia por uma questão administrativa.
Lula ficou preso entre abril de 2018 e novembro de 2019, depois de ser condenado nos casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia. As condenações foram anuladas posteriormente pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Acusação sobre a eleição argentina
Milei acusou Lula de ter enviado a Buenos Aires uma equipe de brasileiros para atuar contra sua candidatura na eleição presidencial argentina de 2023. Segundo o presidente argentino, o grupo era formado por psicólogos e comunicadores e teria organizado uma campanha negativa contra ele.
Questionado sobre uma possível mudança política no Brasil, Milei disse esperar a vitória de Flávio Bolsonaro em outubro. O argentino afirmou que o senador poderá realizar o que chamou de “saneamento liberal” e criticou as contas públicas brasileiras.
Milei declarou que o Brasil tem déficit fiscal de dez pontos do Produto Interno Bruto (PIB) e que Lula deixará uma situação “muito complicada” para o próximo governo. Ele comparou o cenário brasileiro à situação encontrada ao assumir a Presidência argentina e defendeu a redução de gastos públicos.
O presidente argentino também afirmou que seu governo reduziu um déficit fiscal de quinze pontos do PIB no Tesouro e de dez pontos no Banco Central, além de cortar gastos, reduzir impostos, diminuir a pobreza e colocar a inflação em trajetória de queda.
Críticas a Alexandre de Moraes
Milei criticou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, ao relatar que tentou visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma viagem ao Brasil, mas não recebeu autorização. Ele chamou o ministro de “juiz corrupto” e disse que Moraes é amigo de Lula.
O argentino comparou o episódio à visita feita por Lula à ex-presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner em Buenos Aires, em julho de 2025. Na ocasião, Cristina cumpria prisão domiciliar após a Suprema Corte argentina confirmar sua condenação a seis anos de prisão por corrupção.







