NOVA YORK — O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou nesta quarta-feira (23) que espera uma mudança no rumo político do Brasil durante a eleição presidencial de outubro. A declaração foi dada após o discurso dele na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de o Brasil aderir ao Escudo das Américas, plano de segurança regional proposto por Donald Trump, Milei disse que a decisão cabe ao país. “A verdade é que o Brasil participar ou não do Escudo das Américas é uma questão interna do Brasil”, afirmou.
Na sequência, o presidente argentino declarou ter esperança de que o Brasil abandone o que chamou de “curso socialista decadente” e adote ideias de liberdade. Milei também disse esperar que o país faça parte do grupo de países livres.
Milei apoia Flávio Bolsonaro (PL) na eleição brasileira. No final de julho, participou da convenção do PL em São Paulo, que confirmou o aliado como candidato à Presidência. Na ocasião, chamou Luiz Inácio Lula da Silva de “ladrão” e “presidiário”.
Os comentários levaram o Brasil a rebaixar as relações com a Argentina. O país determinou que seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, não retornará à Argentina. Em entrevista publicada em agosto, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, afirmou que a normalização das relações dependerá de Milei interromper as “agressões” contra Lula.
Na terça-feira (22), Milei publicou no X um gráfico sobre o déficit do governo federal brasileiro e voltou a criticar Lula. Na mensagem, rejeitou a política fiscal atribuída aos progressistas e mencionou 2001, ano associado à maior crise econômica da história argentina, ocorrida na virada do milênio. Milei tem promovido uma política fiscal de déficit zero.








