NOVA YORK — O presidente da Argentina, Javier Milei, criticou a Organização das Nações Unidas, acusou órgãos ligados à entidade de contribuírem para um “genocídio” na resposta à pandemia de Covid-19 e reforçou a reivindicação de Buenos Aires pelas Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul.
Foi o terceiro discurso de Milei na Assembleia Geral da ONU. No início da fala, nesta quarta-feira (23), ele afirmou que a organização “tornou-se uma organização inútil” e acusou seus órgãos de permitir conflitos, terrorismo e violações de direitos humanos.
Disputa pelas Malvinas
Milei disse que a ONU se omite na disputa pelas ilhas, reivindicadas pela Argentina. Ele também contestou o argumento de autodeterminação usado pelo Reino Unido para manter o controle do arquipélago, onde a maioria da população deseja a continuidade como território ultramarino britânico.
O presidente argentino afirmou que o projeto Sea Lion avança para a exploração de petróleo na plataforma continental argentina, na Bacia das Malvinas Norte. Segundo ele, as licenças britânicas são ilegais e ilegítimas, e qualquer atividade não autorizada pela Argentina viola o direito internacional e a legislação argentina.
O projeto está ligado a uma reserva localizada 220 km ao norte do arquipélago. A exploração é desenvolvida pela empresa britânica Rockhopper e pela israelense Navitas, com previsão de começar em 2028.
No início do mês, Milei anunciou sanções contra empresas que explorarem recursos naturais nas ilhas e a construção de uma base naval integrada na província da Terra do Fogo. O governo argentino também convocou os embaixadores do Reino Unido e de Israel em Buenos Aires para entregar notas formais de protesto.
Críticas à pandemia
Milei acusou organismos vinculados à ONU de terem priorizado políticas de confinamento durante a pandemia, com impactos sobre empregos e a educação. Ele afirmou ainda que milhões de pessoas morreram sem assistência médica básica e classificou as medidas como um experimento de controle social.
Ao final, o presidente argentino repetiu seu bordão: “Viva a liberdade, c*!”. A disputa pelas ilhas provocou uma guerra entre Argentina e Reino Unido em 1982, vencida pelos britânicos.







