NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou o uso de forças militares estrangeiras contra facções criminosas durante a Assembleia Geral da ONU, iniciada nesta terça-feira (22). A posição deixou o Brasil em minoria diante de Donald Trump e de presidentes de países como Chile e Peru, que defenderam uma ofensiva armada integrada contra o narcotráfico.
Lula afirmou que o combate ao crime deve priorizar a cooperação para interromper o fluxo de armas e dinheiro que sustenta as organizações criminosas. O presidente se opôs ao emprego de estruturas militares dos Estados Unidos, como porta-aviões americanos, em águas brasileiras.
Os Estados Unidos e 14 países da América Latina e do Caribe apoiaram a classificação de 24 organizações criminosas como grupos terroristas. Entre elas estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que passam a ser alvo de sanções internacionais. Argentina e Paraguai já adotavam essa posição, rejeitada oficialmente pelo governo brasileiro.
Ações defendidas pelo Brasil
No discurso, Lula disse que o Brasil está enfrentando o crime organizado sem intervenção externa. Ele citou a maior operação brasileira contra essas organizações, realizada em 2025, com apreensões recordes de drogas e bens ilícitos.
O presidente também mencionou a aprovação da Lei Antifacção. A norma prevê penas para integrantes de facções que podem superar as punições estabelecidas para atos de terrorismo. Para o governo brasileiro, o foco deve estar nos chamados magnatas do crime e nas estruturas financeiras dos grupos.
Trump criou o Escudo das Américas, iniciativa de defesa mútua que trata os cartéis como combatentes inimigos e busca eliminar organizações criminosas. O presidente chileno José Antonio Kast citou ainda o Acordo de Santiago, que reúne Chile, Argentina, Peru, Equador e Bolívia em uma coordenação direta.
As iniciativas reforçam um bloco de direita voltado à cooperação militar e à segurança regional. O Brasil não aderiu a esses pactos.







