O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enfrenta pressão política três anos após os ataques do Hamas, que mataram cerca de 1,2 mil pessoas e levaram ao sequestro de outras 251. Os atentados de 2023 completam três anos nesta quarta-feira (7).
Netanyahu ganhou apoio interno com a guerra na Faixa de Gaza, iniciada após os ataques. Agora, porém, denúncias sobre possíveis falhas de segurança e a proximidade das eleições gerais aumentam o desgaste do governo.
Alertas e cobrança por responsabilização
Informações recentes apontam que Emirados Árabes Unidos e Egito teriam alertado o governo israelense sobre a possibilidade de uma grande ação do Hamas antes dos atentados. Netanyahu negou que tenha recebido esses avisos ou deixado de tomar providências.
A oposição usa o caso para defender a saída do primeiro-ministro. Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, escreveu que Netanyahu recebeu dezenas de avisos antes do 7 de Outubro e os ignorou. O Yashar aparece à frente do Likud, partido de Netanyahu, em várias pesquisas.
As eleições estão marcadas para o próximo dia 27. Dan Illouz, ex-deputado do Likud e candidato do Yisrael Beytenu ao Knesset, afirmou que deve haver um preço político para o primeiro-ministro caso um desastre dessa magnitude ocorra.
Netanyahu também é pressionado por familiares de vítimas do Hamas. Einav Zangauker, mãe de um refém libertado, pediu responsabilização por eventuais falhas de segurança antes dos ataques.
Guerra e disputa eleitoral
Em cerimônia oficial realizada na segunda-feira (5), Netanyahu disse que Israel está mais seguro, mas reconheceu que o trauma dos atentados continua. Ele afirmou que o país está mais forte do que nunca, enquanto as horas do ataque de Simchat Torá permanecem marcadas na memória nacional.
A cientista política Gayil Talshir, da Universidade Hebraica de Jerusalém, disse que Netanyahu acreditou que a eleição seria dominada pela versão de que o 7 de Outubro resultou de uma falha dos generais que não o alertaram. Para ela, essa postura se voltou contra o primeiro-ministro diante das denúncias de alertas prévios e da promessa de uma vitória total sobre o Hamas, que não foi alcançada em meio ao impasse sobre o desarmamento do grupo.








